
Em uma propriedade rural localizada na Mata Atlântica, em São Paulo, a produção de alimentos é integrada a práticas de conservação ambiental e educação. O Sítio Nossa Vida promove a ecogastronomia, que valoriza a origem dos ingredientes, o cultivo sustentável e a relação direta entre produtores e consumidores.
Dos 10 hectares da propriedade, aproximadamente 70% permanecem cobertos por floresta nativa. Segundo o proprietário Albert Sassaki, essa preservação é fundamental para a manutenção dos recursos hídricos, do microclima e da fertilidade do solo.
“Nossa propriedade possui 10 hectares, dos quais 70% são de floresta em pé. Essa vegetação contribui com a produção de serrapilheira, microrganismos eficientes e o controle climático natural”, explica Sassaki.
A propriedade possui nascentes que alimentam a Represa Billings, uma das principais fontes de água da Região Metropolitana de São Paulo. A água percorre o solo preservado até chegar aos lagos e ao reservatório.
“A água que nasce aqui deve sair com a mesma qualidade com que entrou”, afirma Albert Sassaki.
Da produção agrícola à mesa
Após o contato com a floresta, a experiência no sítio termina na cozinha, onde são preparados pratos com ingredientes cultivados na própria propriedade. A proposta é valorizar alimentos sazonais e evitar produtos industrializados.
O destaque do cardápio é um yakisoba feito com legumes orgânicos e pirarucu, refletindo as raízes japonesas da família do produtor.
“Para nós, ecogastronomia significa valorizar quem cultiva, promovendo a colheita da terra ao prato e a experiência sensorial”, explica Sassaki.
O sítio também processa excedentes de produção em diversos produtos, como peixe com azedinha, caponata com coração de bananeira, chips de banana verde, geleia de cambuci e derivados do leite produzido na propriedade, contribuindo para a redução de desperdícios.
Segundo o produtor, o processamento de alimentos surgiu como uma estratégia para aproveitar melhor as produções que não seriam comercializadas in natura.
“Não podemos descartar excedentes de produção. É preciso ter uma visão de aproveitamento e valorização”, afirma Sassaki.
Ingredientes nativos da Mata Atlântica
Um dos ingredientes que se destaca na experiência é o cambuci, fruta típica da Mata Atlântica, cultivada na região e utilizada na elaboração de bebidas, sucos, sorvetes, geleias, licores e cervejas.
Além do sabor, o cambuci possui alto teor de vitamina C e compostos antioxidantes, contribuindo para seus benefícios nutricionais.
Para o produtor, a valorização de espécies locais e de práticas agrícolas sustentáveis reforça a relação de confiança entre consumidores e produtores rurais.
Fonte: Planeta Campo.











