
A Danone pretende ampliar as vendas e a rentabilidade de sua operação no Brasil acima do desempenho da matriz francesa. A estratégia é liderada pelo português Tiago Santos, que assumiu a presidência das operações brasileiras em 2024.
“Quero crescer mais que a matriz em vendas e quero que a rentabilidade do Brasil cresça mais que a da matriz”, afirmou Santos em entrevista. Segundo ele, a empresa tem alcançado esse objetivo nos últimos dois anos e meio.
No segundo trimestre de 2026, o grupo Danone registrou crescimento de 4,2% nas vendas globais em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado superou a expectativa de alta de 3,7%. No primeiro semestre, o lucro operacional recorrente chegou a 1,854 bilhão de euros, aproximadamente R$ 10,84 bilhões, com aumento de 13% na comparação anual.
As operações nas Américas tiveram crescimento de 4,3% nas vendas. A companhia não detalhou o desempenho específico do Brasil, mas o país está entre os maiores mercados consumidores da Danone e se aproxima do grupo dos dez principais mercados globais da empresa.
No segmento de iogurtes, a Danone ocupa a segunda posição no mercado brasileiro, atrás da Lactalis, que controla marcas como Nestlé e Batavo.
Investimentos em Minas Gerais
Para ampliar a produção, a empresa destinou alguns milhões de euros à expansão das fábricas de Poços de Caldas, em Minas Gerais. De acordo com Tiago Santos, a Danone investiu cerca de R$ 1 bilhão no Brasil desde o início da pandemia.
A expansão está principalmente relacionada ao crescimento da demanda por alimentos com maior concentração de proteínas. A empresa afirma que os investimentos não dependem diretamente das condições de crédito no mercado brasileiro, o que reduz o impacto da taxa Selic elevada sobre os projetos.
O YoPro, principal linha de produtos proteicos da Danone, já é o segundo produto mais vendido da companhia no país. O iogurte Danone ocupa a primeira posição, seguido por Activia e Danoninho.
Lançado no Brasil em 2018, o YoPro combina whey protein e caseína, duas proteínas derivadas do leite. Inicialmente, o produto era direcionado principalmente a atletas e consumidores ligados à prática de exercícios intensos. Nos últimos anos, porém, a categoria passou a alcançar um público mais amplo, impulsionada pela busca por alimentos associados à saúde, ao bem-estar e à prática esportiva.
Crescimento do mercado de proteínas
Dados do Google Trends indicam que as buscas pelo termo “proteína” aumentaram 350% nos últimos cinco anos. O movimento acompanha a expansão de uma oferta de produtos com maior teor proteico, incluindo barras de cereais, salgadinhos, sorvetes e bebidas.
A tendência também se relaciona ao crescimento do mercado de medicamentos da classe GLP-1, utilizados no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade. Esses medicamentos reduzem o apetite, aumentam a sensação de saciedade e retardam o esvaziamento do estômago.
Como podem provocar perda de massa magra durante o processo de emagrecimento, especialmente quando não são acompanhados de alimentação adequada e atividade física, esses tratamentos têm contribuído para o aumento da procura por alimentos ricos em proteína e com menor volume de consumo, como iogurtes e bebidas prontas.
Um levantamento realizado pela Scanntech em parceria com a McKinsey apontou crescimento de 16% no consumo de iogurtes proteicos no Brasil entre janeiro e outubro do ano passado.
Apesar da influência desse cenário, a Danone afirma que a ampliação das fábricas de Poços de Caldas faz parte de uma estratégia de longo prazo para consolidar sua presença no mercado de proteínas, e não apenas de uma resposta ao crescimento dos medicamentos GLP-1.
Expansão internacional
A aposta da Danone no segmento de nutrição também aparece na estratégia global de aquisições. Em junho, a companhia anunciou a compra da australiana Made Group, fabricante de bebidas e produtos lácteos, em uma operação avaliada em cerca de 2 bilhões de dólares australianos, aproximadamente R$ 7,13 bilhões.
A empresa também adquiriu os 49% restantes de uma joint venture mantida com a Saputo Dairy Australia, com o objetivo de ampliar sua presença no mercado asiático.
Em março, a Danone anunciou ainda a compra da britânica Huel, especializada em refeições nutricionalmente completas, como shakes, refeições instantâneas e barras de nutrientes. O valor da transação não foi divulgado.
No Brasil, Tiago Santos afirma que a Danone acompanha oportunidades de aquisições e parcerias. Segundo ele, o mercado nacional é pulverizado, com concorrentes de atuação municipal, estadual e nacional.
Fonte: Folha de S.Paulo.











