Sustentabilidade

Cadeia de produção bovina reutiliza 99% dos resíduos gerados

A indústria do couro no Brasil transforma mais de 90% dos resíduos em produtos como colágeno, fertilizantes e biodiesel, promovendo a economia circular e reduzindo resíduos em setores como calçados, móveis e automóveis. Essa prática gera impacto econômico e ambiental, com 99% dos resíduos sendo reaproveitados e novos usos sendo continuamente desenvolvidos.

Foto: reprodução/Planeta Campo
Foto: reprodução/Planeta Campo

O aproveitamento de subprodutos da indústria de couros possibilita a transformação de resíduos em produtos como colágeno, gelatina, biodiesel e fertilizantes de alto valor agregado.

A indústria do couro adota a economia circular como estratégia para reaproveitar resíduos e transformá-los em novos produtos. Materiais anteriormente considerados descartes passam a ser destinados a diferentes cadeias produtivas, ampliando o uso da matéria-prima e reduzindo a geração de resíduos.

A pele bovina, subproduto da indústria de alimentos, é utilizada na fabricação de materiais para setores como calçados, móveis e automóveis. No processamento do couro, busca-se também novos usos para os materiais gerados.

Segundo Kim Sena, diretor de sustentabilidade da JBS Couros, mais de 90% do peso da pele recebido por uma fábrica de couro é convertido em algum produto, sem desperdício ou perda de valor, sendo direcionado às cadeias alimentícia, de calçados, móveis, entre outras.

O sebo pode ser utilizado na fabricação de sabonetes e biodiesel, enquanto as aparas da pele são destinadas à produção de colágeno, gelatina e peptídeos utilizados em produtos de saúde e cuidados com a pele.

Resíduo que virou fertilizante

Um exemplo de inovação é o farelo de rebaixe, material gerado durante o ajuste da espessura do couro, necessário para atender às diferentes aplicações, como cintos ou sofás.

Durante esse processo, fibras são geradas sem uma destinação definida. Com pesquisas e investimentos, a indústria encontrou uma nova aplicação para esse material.

Em parceria com uma empresa italiana de fertilizantes, o farelo de rebaixe passou a ser transformado em fertilizantes de alto valor agregado, contendo aminoácidos considerados relevantes para essa utilização.

Kim Sena explica que o material, antes considerado resíduo ou lixo, foi convertido em fertilizantes de alto valor, devido à presença de aminoácidos nobres.

A transformação demonstra como a economia circular pode alterar o destino de materiais, transformando resíduos em recursos por meio de tecnologias e processos que reintegram esses materiais à cadeia produtiva.

Materiais circulam dentro da própria cadeia

A circularidade também ocorre entre diferentes operações de uma mesma empresa, como o plástico utilizado para proteger os couros armazenados em paletes.

O plástico reciclado pela JBS Ambiental é reaproveitado na fabricação de capas pela JBS Couros, exemplificando a integração de operações na reutilização de materiais.

A JBS Couros compra peles da Friboi e posteriormente vende aparas para outras empresas do grupo, que as utilizam na fabricação de produtos nutracêuticos e farmacêuticos.

A integração entre operações possibilita identificar novas formas de aproveitamento e desenvolver soluções para materiais que poderiam ter outros destinos.

Resíduo como oportunidade

Na economia circular, o conceito deixa de ser apenas uma estratégia ambiental e passa a fazer parte do modelo de negócio, ao buscar valor em materiais gerados ao longo da cadeia e reinseri-los no processo produtivo.

A empresa afirma que 99% dos resíduos da cadeia bovina são reaproveitados, transformando o que seria descarte em matéria-prima para novas aplicações.

Esse conceito exige melhorias contínuas nos processos industriais, promovendo maior eficiência, menor uso de recursos naturais e adoção de matérias-primas e soluções mais sustentáveis.

Fonte: Planeta Campo.