
O Frescal de São Joaquim, uma das carnes mais tradicionais da Serra Catarinense, recebeu oficialmente o selo de Indicação de Procedência (IP) do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Essa conquista representa um avanço significativo na valorização do produto, que tem forte ligação com a cultura tropeira da região e promete impulsionar o turismo, a economia local e a preservação das tradições culturais.
O reconhecimento, realizado nesta semana, também reforça o status do Frescal como patrimônio cultural de Santa Catarina, consolidando sua identidade como símbolo da cultura regional de São Joaquim, cidade reconhecida pelo clima frio, produção de maçãs e tradição pecuária.
Com a certificação, Santa Catarina passa a contar com 11 produtos certificados por Indicação Geográfica reconhecida pelo INPI, reforçando o protagonismo do estado na preservação e promoção de produtos ligados à origem e às tradições locais.
A Indicação Geográfica é um selo concedido a produtos com forte vínculo à região de origem, reconhecendo características únicas relacionadas ao modo de produção, à reputação e à tradição que se consolidaram ao longo do tempo.
No caso do Frescal de São Joaquim, a certificação na modalidade Indicação de Procedência indica que somente produtos produzidos dentro de uma área delimitada, seguindo critérios específicos, poderão usar oficialmente o nome do produto.
De acordo com a Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape), responsável pela elaboração do documento técnico de delimitação territorial submetido ao INPI, o processo contou com o apoio do Sebrae/SC, Coopernovilhos, Federação da Agricultura e Pecuária de Santa Catarina (Faesc) e Sindicato Rural de São Joaquim.
O secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Admir Dalla Cort, destacou os benefícios econômicos e culturais decorrentes da certificação.
“A Indicação Geográfica valoriza a história, a cultura e o modo de produção das regiões catarinenses. Ela aumenta o valor dos produtos, abre novos mercados e gera renda e oportunidades para os produtores e toda a cadeia produtiva”, afirmou o secretário.
A origem do Frescal remonta ao período do tropeirismo, atividade fundamental para o desenvolvimento econômico do Sul do Brasil entre os séculos XVIII e XIX.
Naquela época, tropeiros conduziam grandes rebanhos de gado do Rio Grande do Sul até Sorocaba, no interior paulista, utilizando São Joaquim como ponto estratégico de descanso e engorda dos animais. Para preservar a carne durante as longas jornadas, a técnica de salgar e curar surgiu como método de conservação.
Ao longo dos anos, as famílias da Serra Catarinense aprimoraram o método, resultando em um produto distinto do charque e da carne de sol tradicionais.
O nome “Frescal” teria surgido há cerca de 50 anos, após um jornalista paulista experimentar a carne em uma churrascaria local e afirmar que ela não era exatamente carne fresca nem charque, mas sim um “frescal”. A expressão acabou se popularizando e passou a identificar o produto em todo o Brasil.
Especialistas ressaltam que as condições naturais da Serra Catarinense são essenciais para a qualidade diferenciada do Frescal, influenciando seu sabor, maciez e textura.
O gado utilizado na produção é criado solto em altas altitudes, alimentando-se de pastagens nativas sob temperaturas mais baixas, o que contribui para a maciez, o sabor e a textura do produto final.
O processo artesanal de produção também é um diferencial. Mesmo em operações maiores, a técnica tradicional é mantida: a carne é salgada e curada por até 48 horas, sem exposição direta ao sol, preservando sua cor rosada, suculência e maciez.
Esse método distingue o Frescal do charque e da carne de sol convencionais, aumentando seu valor na gastronomia regional.
O Frescal é especialmente conhecido por sua presença no churrasco típico da Serra Catarinense. A tradição é tão forte que a Prefeitura de São Joaquim oficializou o Churrasco de Frescal como prato típico do município.
Antes mesmo da certificação pelo INPI, o Frescal já havia conquistado outros marcos importantes, como o Selo Arte, concedido pela Cidasc, que possibilita sua comercialização artesanal em todo o território nacional.
Com o selo do INPI, produtores locais visam ampliar a valorização comercial do produto e fortalecer o turismo gastronômico na região serrana de Santa Catarina.
O reconhecimento do Frescal de São Joaquim faz Santa Catarina atingir a marca de 11 produtos certificados com Indicação Geográfica.
Entre os produtos certificados estão:
- Uva Goethe
- Banana de Corupá
- Queijo Artesanal Serrano
- Vinhos de Altitude
- Mel de Melato da Bracatinga
- Maçã Fuji de São Joaquim
- Erva-Mate do Planalto Norte Catarinense
- Linguiça Blumenau
- Cachaça e Aguardente de Luiz Alves
- Banana de Luiz Alves
- Frescal de São Joaquim
Dados do INPI indicam que o Brasil possui atualmente 172 produtos com reconhecimento de Indicação Geográfica, sendo 129 de Procedência e 43 de Denominação de Origem.
Fonte: Compre Rural.








