
No leste de Mato Grosso, a região do Araguaia está emergindo como um polo de inovação na produção de pequi, fruto símbolo do Cerrado. A iniciativa transforma uma atividade tradicionalmente extrativista em uma cadeia industrial voltada à geração de biomassa, óleos e etanol, com potencial de agregar valor e ampliar a sustentabilidade regional.
Com apoio do Centro de Desenvolvimento Agroecológico do Cerrado (Cedac) e financiamentos de órgãos da Alemanha, Reino Unido e do governo estadual, o projeto visa consolidar o Vale do Araguaia como referência nacional em bioeconomia sustentável.
De acordo com Alessandra Karla da Silva, coordenadora do Cedac, a proposta envolve o processamento de milhares de toneladas de pequi, com ênfase na produção de etanol de segunda geração. Ainda que a tecnologia esteja avançada, a ampliação da escala produtiva depende de novos investimentos para viabilizar a transição de uma planta piloto para uma operação comercial em larga escala.
Para Alessandra, a validação tecnológica e a expansão de mercados consumidores serão essenciais para diminuir a percepção de risco entre investidores e acelerar o desenvolvimento do projeto.
Além do impacto energético, a cadeia do pequi tem forte impacto social, envolvendo atualmente mais de mil famílias locais, incluindo agricultores familiares, povos indígenas e comunidades tradicionais, que participam de atividades sustentáveis de manejo e coleta.
O Cedac atua na elaboração de protocolos de manejo sustentável, promovendo capacitações para que as famílias possam coletar o fruto sem prejudicar a conservação ambiental. O projeto também inclui processos de certificação orgânica participativa e acompanhamento técnico das comunidades envolvidas.
Valorização do protagonismo feminino
Um aspecto destacado do projeto é o protagonismo feminino, com as mulheres liderando as ações relacionadas ao manejo sustentável e à organização comunitária na cadeia produtiva do pequi, fortalecendo o papel social e econômico dessas comunidades.
Além do etanol, os derivados do fruto despertam interesse na indústria de cosméticos, especialmente entre empresas que buscam reduzir a pegada de carbono em suas cadeias de produção.
Fonte: Planeta Campo.








