Agronegócio

Palma no Pará conquista espaço e transforma vidas no campo

Produtores pioneiros no cultivo de palma no Pará mostram como a expansão da cultura pode impulsionar a economia rural e gerar impacto social, mesmo diante de desafios estruturais e de mercado.

Árvores de Palma em Moju, interior do Pará - Foto: Leonardo Mendes da Silva / Abrapalma.
Árvores de Palma em Moju, interior do Pará – Foto: Leonardo Mendes da Silva / Abrapalma.

O cultivo de palma no Pará tem apresentado uma trajetória de crescimento que, apesar de ainda enfrentar obstáculos, já revela resultados expressivos na vida de agricultores locais. Com a expansão de lavouras e a valorização de uma cadeia produtiva sustentável, esses produtores estão conquistando maior autonomia econômica e contribuindo para o aumento da produção nacional de óleo de palma.

Histórias de sucesso no interior do Pará

Francisco Jaime da Silva, de Tailândia, começou a cultivar palma em 2012, trocando um roçado de subsistência por uma área de 10 hectares. Hoje, sua plantação de 32 hectares lhe permite sustentar a família, pagar os estudos da filha na capital e ampliar sua produção, tornando-se referência no setor.

Na zona rural de Moju, a 130 km de Belém, a casa de Leonel Oliveira de Souza, conhecido como Léo, destaca-se pela estrutura moderna em meio à paisagem rural. Iniciou suas atividades com palma em 2002 e, após dificuldades iniciais, firmou contrato com a indústria local Agropalma, que passou a oferecer suporte técnico e impulsionou sua produtividade.

Hoje, com uma produtividade que chega a gerar R$ 10 mil mensais em seus dez hectares, Léo demonstra que a cultura do dendê pode ser rentável e atrativa para novos investidores no campo. Seus filhos demonstram interesse em seguir na atividade, contrariando a tendência de dificuldades de sucessão agrícola.

A produtora de palma Benedita Nascimento, de Moju, interior do Pará | Crédito: Leonardo Mendes da Silva / Abrapalma
A produtora de palma Benedita Nascimento, de Moju, interior do Pará – Foto: Leonardo Mendes da Silva / Abrapalma

Os casos de sucesso no Pará ilustram uma recuperação do cultivo de palma na região, que responde por 95% da produção nacional, atingindo quase 700 mil toneladas de óleo por ano. Apesar do potencial, o Brasil ainda importa cerca de 300 mil toneladas anuais, principalmente para abastecer indústrias alimentícias e de cosméticos.

Potencial de expansão e desafios atuais

O plantio de palma no Pará teve início na década de 1960, e na década de 1980, impulsionado pela criação da Agropalma, atingiu uma área de aproximadamente 60 mil hectares. Nos anos recentes, programas governamentais têm incentivado a expansão, especialmente na substituição de pastagens por culturas de palma.

Atualmente, a área cultivada no estado soma cerca de 283 mil hectares, distribuídos por 40 municípios, além de outros 10 mil hectares em outros estados. Pequenos agricultores representam cerca de 22% da produção, enquanto os grandes respondem por aproximadamente 60%, segundo dados da Abrapalma.

Apesar do crescimento, a cultura ainda é considerada pouco difundida no Brasil, com potencial de expansão significativo. Segundo o presidente da Abrapalma, Victor Almeida, o país possui condições climáticas favoráveis, mão de obra treinada e áreas degradadas passíveis de conversão para o cultivo de palma.

O valor do óleo de palma também favorece sua expansão: na Bolsa de Roterdã, o preço chegou a US$ 1,7 mil por tonelada em 2021, antes de estabilizar em torno de US$ 1 mil. Essa valorização, aliada à sua estabilidade térmica e perfil de saúde, torna a palma uma alternativa atrativa para diversos setores industriais.

Além do aspecto econômico, a cadeia produtiva apresenta vantagens ambientais, como o reuso de quase 100% dos resíduos do processamento, que podem ser utilizados para geração de energia ou como fertilizantes naturais.

Entretanto, a expansão da palma enfrenta obstáculos, incluindo questões fundiárias e altos custos de implantação. O plantio de uma hectare exige investimento de aproximadamente R$ 25 mil, muito acima do custo de culturas tradicionais como a soja, e o limite de crédito do Pronaf, de R$ 250 mil, é considerado insuficiente pelos produtores.

A cultura é perene, podendo produzir por até 30 anos, com frutos disponíveis a partir do terceiro ano e rentabilidade consolidada após o quinto. No entanto, o manejo manual da colheita, que ocorre a cada quinze dias e é dificultado pelo porte das árvores, demanda atenção especial dos agricultores.

Para garantir maior sustentabilidade econômica, a prática de consórcio com culturas como açaí, cacau, banana e mandioca tem se mostrado eficaz, ajudando a diluir os custos e ampliar a rentabilidade ao longo do ciclo de produção.

Outro desafio importante está na perecibilidade dos frutos, que precisam ser processados em até 24 horas após a colheita. Isso exige uma cadeia de valor verticalizada, com unidades de processamento próximas às lavouras, preferencialmente até 120 km de distância.

Apesar de sua relevância, a produção nacional de óleo de palma ainda enfrenta competição desleal com importações, principalmente da Malásia e Indonésia, onde condições trabalhistas mais frágeis favorecem preços mais baixos. O governo brasileiro libera anualmente 150 mil toneladas de importação sem impostos, o que impacta a competitividade do produto nacional.

O produtor de palma Francisco Jaime da Silva, de Tailândia, interior do Pará | Crédito: Leonardo Mendes da Silva / Abrapalma
O produtor de palma Francisco Jaime da Silva, de Tailândia, interior do Pará – Foto: Leonardo Mendes da Silva / Abrapalma

Fonte: The Agribiz.