
A entrada da Warburg Pincus no capital da Global Eggs abre uma nova etapa na estratégia de expansão da companhia controlada pelo empresário Ricardo Faria. O fundo vai aportar até US$ 1 bilhão em troca de participação minoritária.
Segundo o CFO global da empresa, Ismelon Moreira, o grupo já apresentava alavancagem inferior a uma vez o Ebitda antes da operação. De acordo com ele, a companhia não busca recursos para reduzir dívida, mas para sustentar crescimento e ampliar presença internacional.
Em entrevista, Moreira afirmou que o investidor agrega acesso a mercados e alternativas de financiamento, além de contribuir para a estrutura de governança. A estratégia central, segundo o executivo, permanece inalterada, com foco exclusivo no mercado de ovos.
A aproximação com a Warburg Pincus começou durante um roadshow realizado há pouco mais de um ano, quando a holding avaliava a abertura de capital como principal caminho para captar recursos e consolidar o setor. Foram realizadas cerca de 70 reuniões com investidores. O plano de IPO, no entanto, ficou em segundo plano após a aquisição da Hillandale Farms nos Estados Unidos.
A compra da empresa norte-americana marcou uma mudança de escala para a Global Eggs. À época da operação, o grupo incorporou cerca de 20 milhões de galinhas poedeiras. Atualmente, o plantel soma aproximadamente 45 milhões de aves.
Para conduzir a transição, Moreira e o CEO da holding, Edenilson Dorigoni, passaram a residir em Gettysburg, na Pensilvânia. Dorigoni atua no grupo há duas décadas e assumiu a liderança executiva no momento da aquisição.
Segundo o CFO, a estrutura encontrada na empresa americana era melhor do que o esperado, embora tenha havido mudanças na diretoria. Parte dos executivos deixou a companhia logo após a conclusão do negócio. Mais da metade do valor total da aquisição, estimado em US$ 1,1 bilhão, foi desembolsada no primeiro ano de operação, cerca de US$ 600 milhões.
A companhia mantém a política de reinvestimento integral dos lucros e não prevê distribuição de dividendos. O foco segue na expansão por meio de aquisições, sem definição pública de regiões ou perfis específicos de empresas-alvo.
De acordo com Moreira, a lógica é incorporar ativos que possam operar sob a escala global da holding, com ganhos em negociação de insumos, embalagens e genética. A empresa afirma ter crescido, em média, cerca de 50% ao ano na última década, considerando o crescimento anual composto.
Fonte: The AgriBiz.








