
Durante teleconferência com analistas nesta terça-feira, executivos da Raízen foram questionados sobre o futuro da divisão que controla as 24 usinas sucroalcooleiras, após a separação da companhia em duas unidades distintas. A dúvida central é se a operação agroindustrial consegue manter sua viabilidade de forma independente.
As projeções de longo prazo da própria empresa reforçam o receio do mercado quanto à resiliência do negócio sucroalcooleiro, que depende de fatores externos altamente voláteis, como preços de commodities e condições climáticas.
Segundo a companhia, o período até 2029 será marcado por perdas financeiras, com a expectativa de que o retorno ao equilíbrio só aconteça em 2030. Para isso, será necessário um aumento de aproximadamente 30% nas cotações do etanol, elevando o litro hidratado de cerca de R$ 2,25 para perto de R$ 3,00, além de uma recuperação semelhante no mercado internacional de açúcar, que deve superar 19 centavos de dólar por libra-peso a partir de 2030/31.
Analistas do UBS questionaram a viabilidade do spin-off da divisão, considerando o cenário externo otimista, que exige uma resiliência que a operação sucroalcooleira ainda não demonstra possuir atualmente.
O diretor financeiro da Raízen, Lorival Luz, admitiu que os primeiros anos da operação de açúcar e bioenergia serão difíceis, mas destacou que o plano de recuperação extrajudicial foi desenhado para suportar esses períodos de tensão. Ele afirmou que o cenário é de dificuldades iniciais, mas que a estratégia visa absorver esses impactos.
De acordo com Luz, a alta alavancagem no início do processo levou a uma maior concentração de dívida na divisão de distribuição de combustíveis, que atualmente apresenta melhor desempenho operacional. A venda das operações na Argentina, por mais de R$ 7 bilhões, será direcionada para a Raízen Energia, contribuindo para reduzir o endividamento da divisão de usinas após a separação.
Após a venda, a Raízen Energia deverá iniciar suas operações com uma relação dívida/EBITDA de aproximadamente 2,2 vezes, enquanto a divisão de combustíveis chegará ao mercado com uma alavancagem estimada em 4,8 vezes. Essa diferenciação reflete a maior solidez operacional do segmento de distribuição, que vive um momento mais favorável.
Para o segmento de distribuição, a fase de crescimento pode continuar mesmo com maior endividamento, dado seu bom desempenho operacional atual, o que facilitará a atração de investidores. Em contrapartida, o setor sucroalcooleiro terá uma recuperação mais lenta, com um plano de pagamento de dívidas com prazos ampliados, sendo que as obrigações só passarão a vencer a partir do sexto ano após a homologação do processo de recuperação extrajudicial.
Além disso, a Raízen planeja vender mais usinas no futuro, uma estratégia que não faz parte das projeções oficiais, mas que pode gerar recursos adicionais. As usinas que podem ser vendidas representam uma capacidade de moagem entre 10 e 15 milhões de toneladas de cana, volume similar ao de grupos como a Coruripe.
Na última safra, a companhia já desmobilizou ou vendeu aproximadamente 20 milhões de toneladas de capacidade de moagem, e planeja continuar reduzindo seu porte para se consolidar como uma empresa mais eficiente e menos endividada.
Nelson Gomes, CEO da Raízen, afirmou que o objetivo é retornar ao tamanho ideal, recuperando a competitividade que a empresa já teve no passado, ao mesmo tempo em que busca diminuir o endividamento excessivo acumulado nos anos recentes.
Fonte: The AgriBiz.








