
A Embrapa Meio Ambiente realiza, em 31 de agosto, treinamento técnico sobre criação in vitro de larvas de abelhas sem ferrão. Coordenado pelo pesquisador Cristiano Menezes, o curso destina-se a alunos e colaboradores da Universidade de São Paulo (USP) e à equipe do Laboratório de Entomologia da unidade, com foco na aplicação da técnica em experimentos científicos.
O objetivo é capacitar os participantes para realizar, em seus próprios laboratórios, ensaios de criação in vitro de larvas de abelhas sem ferrão. Essa metodologia é fundamental para pesquisas sobre a biologia, o desenvolvimento e estudos de ecotoxicologia, especialmente na avaliação dos efeitos de pesticidas químicos e biológicos sobre as abelhas.
A técnica foi desenvolvida por Menezes durante seu doutorado e continuada na Embrapa. Inicialmente, buscava-se utilizar a criação in vitro para produzir rainhas de abelhas sem ferrão, contribuindo para a multiplicação de colônias, atendendo às demandas de polinização agrícola e produção de mel.
Com o avanço das pesquisas, a metodologia passou a ser utilizada também como ferramenta experimental. Segundo o pesquisador, “essa técnica começou a ser empregada em estudos ecotoxicológicos, principalmente para avaliar os impactos de pesticidas em abelhas”.
De acordo com Menezes, a técnica permite aprofundar o conhecimento sobre o desenvolvimento das abelhas sem ferrão. Ao criar larvas em condições controladas, os pesquisadores podem realizar manipulações e acompanhar respostas que seriam mais difíceis de observar dentro das colônias.
“Recolhemos o alimento larval utilizado pelas abelhas para o desenvolvimento e realizamos a criação em laboratório, possibilitando manipulações necessárias para os estudos”, explica.
Ferramenta para experimentação científica
A criação in vitro oferece maior controle sobre as condições às quais as larvas são submetidas, sendo útil para estudos que investigam os efeitos de substâncias ou fatores ambientais no desenvolvimento das abelhas.
Na ecotoxicologia, a técnica pode ser empregada para avaliar os efeitos de produtos utilizados na agricultura, contribuindo para a análise de riscos e estratégias de mitigação de impactos sobre os polinizadores.
Além de estudos com pesticidas, a metodologia apoia pesquisas sobre diferentes fases do desenvolvimento das abelhas sem ferrão, que desempenham papel importante na biodiversidade e na polinização de plantas nativas e cultivadas.
A capacitação reforça a formação da equipe do Laboratório de Entomologia e amplia a capacidade de realização de experimentos com abelhas sem ferrão na Embrapa Meio Ambiente.
Atividades práticas
O treinamento inclui atividades teóricas e práticas, como coleta de material biológico no meliponário e transferência das larvas para o laboratório.
A programação inicia às 9h30, com recepção e apresentação do curso. Das 10h às 10h30, serão alinhados procedimentos e materiais utilizados. Entre 10h30 e 12h, os participantes farão a coleta de material biológico no meliponário.
À tarde, das 13h às 16h, ocorrerá a transferência das larvas e a incubação. O encerramento será das 16h às 17h, com considerações finais.
Ao final, espera-se que os participantes estejam aptos a aplicar a metodologia em seus laboratórios, ampliando as possibilidades de pesquisa com abelhas sem ferrão.
A criação em laboratório de abelhas sem ferrão faz parte de estratégias para ampliar o conhecimento e o uso desses polinizadores.
Além da relevância ecológica, as abelhas sem ferrão possuem potencial para polinização agrícola e produção de mel, reforçando a importância de técnicas que contribuam para sua conservação e manejo.
Fonte: Planeta Campo.








