
O Piauí entrou na rota internacional da transição energética após a multinacional japonesa Niterra escolher a ZPE de Parnaíba para implantar um dos primeiros projetos brasileiros de hidrogênio verde com tecnologia SOEC (Célula de Eletrólise de Óxido Sólido).
O projeto de demonstração deve receber investimento estimado em R$ 70 milhões e tem previsão de início das operações no segundo trimestre de 2027.
A iniciativa será desenvolvida em parceria com a Green Energy Park e integra um programa estratégico financiado parcialmente pelo governo japonês, por meio do Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão (METI).
Tecnologia promete maior eficiência energética
A tecnologia SOEC é considerada uma das apostas da indústria global para produção de hidrogênio verde em larga escala.
Segundo informações do projeto, o sistema apresenta eficiência energética cerca de 30% superior aos modelos convencionais de eletrólise atualmente utilizados no mercado.
O diferencial está na operação em altas temperaturas, permitindo produzir maior volume de hidrogênio utilizando menos energia elétrica.
Outro ponto considerado estratégico é o caráter reversível da tecnologia. O equipamento consegue:
- produzir hidrogênio quando há excesso de geração solar e eólica;
- gerar eletricidade em períodos de menor oferta energética.
A estrutura inicial terá capacidade de 100 kW e funcionará em sistema modular containerizado, com monitoramento remoto realizado a partir do Japão.
Piauí entra na disputa por investimentos bilionários
A escolha da ZPE de Parnaíba ocorre em meio à corrida internacional por projetos ligados à descarbonização industrial e combustíveis de baixa emissão.
O Piauí passou a atrair atenção de empresas estrangeiras devido à combinação entre energia renovável, área disponível para projetos industriais e incentivos ligados ao Marco Legal do Hidrogênio de Baixa Emissão de Carbono.
A Green Energy Park também mantém planos de investimento estimados em R$ 200 bilhões na ZPE de Parnaíba, voltados à produção de hidrogênio verde, amônia e combustíveis sustentáveis.
O avanço desses projetos pode abrir espaço para novas cadeias industriais no estado, especialmente em setores ligados à energia, fertilizantes e exportação de combustíveis de baixo carbono.
Universidades e indústria articulam pesquisas
O projeto também começou a mobilizar instituições de pesquisa e formação técnica no estado.
Representantes da Niterra e da Green Energy Park participaram de reuniões com o SENAI para discutir qualificação profissional, inovação tecnológica e formação de mão de obra voltada à operação de plantas de hidrogênio.
A UFPI também iniciou articulações para desenvolvimento de pesquisas em parceria com a empresa japonesa.
Segundo informações ligadas ao projeto, dois editais da Finep já estão sendo estruturados para apoiar iniciativas de pesquisa aplicada envolvendo hidrogênio verde e tecnologias energéticas.
Corrida global por combustível limpo
A Niterra, antiga NGK Spark Plug, atua globalmente nos setores automotivo, industrial e de materiais cerâmicos. Nos últimos anos, a empresa ampliou investimentos em tecnologias ligadas à transição energética e descarbonização industrial.
O hidrogênio verde é apontado como uma das principais alternativas para reduzir emissões em setores industriais de alto consumo energético, como siderurgia, fertilizantes, transporte pesado e combustíveis sintéticos.

Fonte: Senai.








