
A geração própria de energia tem ganhado espaço no campo brasileiro. O agronegócio já ocupa a terceira posição entre os setores que mais investem em produção elétrica própria no país, movimento ligado à busca por redução de custos e maior autonomia nas propriedades.
A decisão sobre qual fonte utilizar envolve fatores como investimento inicial, disponibilidade de recursos naturais e características da propriedade. Entre as alternativas mais presentes nas áreas rurais estão a energia solar, a eólica e a produção de energia a partir de biomassa e biogás.
O cenário internacional também influencia esse movimento. Especialistas apontam que conflitos geopolíticos, como a guerra na Ucrânia, evidenciaram a dependência de muitos países em relação a combustíveis fósseis. Na Europa, a dependência do gás russo colocou em debate a segurança energética da região.
No Brasil, dados do Ministério de Minas e Energia indicam que quase metade da matriz elétrica nacional é formada por fontes renováveis. As hidrelétricas concentram a maior parte da geração, mas outras tecnologias têm avançado no meio rural.
A energia solar é a alternativa mais difundida entre produtores. O sistema fotovoltaico converte a luz do sol em eletricidade por meio de painéis instalados em telhados de galpões, áreas improdutivas ou estruturas específicas. Segundo dados do setor, cerca de 13% da potência solar instalada no país está em propriedades rurais.
A regulamentação aprovada em 2022 para a geração distribuída trouxe novas regras para a conexão desses sistemas à rede elétrica. Linhas de financiamento também passaram a ser utilizadas por produtores interessados em instalar os equipamentos.
Outra possibilidade é a geração eólica. O sistema utiliza aerogeradores que transformam a força dos ventos em eletricidade. A instalação exige estudos prévios para verificar a intensidade e a regularidade dos ventos na região. Nas áreas onde as turbinas são instaladas, o solo pode continuar sendo utilizado para pastagem ou lavoura.
No caso da biomassa, a energia é produzida a partir de resíduos agrícolas, como restos de cana, milho ou madeira. O setor sucroenergético já utiliza esse modelo em larga escala. Dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar indicam que a bioeletricidade proveniente da cana responde por cerca de 4% da demanda elétrica nacional.
Dentro das propriedades, o biogás tem sido adotado em sistemas que utilizam esterco, restos de ração e outros resíduos orgânicos. O material é processado em biodigestores por meio de digestão anaeróbica, processo em que microrganismos decompõem a matéria orgânica sem a presença de oxigênio. O resultado pode ser utilizado para geração de energia térmica ou elétrica.
Quando o biogás passa por processos de purificação, transforma-se em biometano. O combustível pode ser utilizado em substituição ao diesel em veículos e máquinas agrícolas.
O Governo Federal lançou uma estratégia nacional voltada ao incentivo do biogás e do biometano. A proposta prevê ampliar infraestrutura e estimular o uso dessas fontes para geração de energia e combustível em diferentes regiões do país.








