Tecnologia

Emirados Árabes investem bilhões em tecnologia agrícola para produzirem alimentos no deserto

Desde 2018, o país conduz a Estratégia Nacional de Segurança Alimentar 2051, voltada à reorganização do sistema de abastecimento.

Imagem gerada por IA.

Os Emirados Árabes Unidos reforçaram uma estratégia que combina tecnologia, investimentos no exterior e infraestrutura para enfrentar um desafio estrutural: produzir alimentos em um território marcado por clima árido, pouca água e escassez de terras férteis.

Atualmente, entre 85% e 90% dos alimentos consumidos no país vêm de fora. Essa dependência expõe o abastecimento a riscos como conflitos internacionais, crises logísticas e interrupções em rotas comerciais.

Plano de longo prazo

Desde 2018, o país conduz a Estratégia Nacional de Segurança Alimentar 2051, voltada à reorganização do sistema de abastecimento. Entre as metas estão:

  • Produzir localmente até metade dos alimentos consumidos até 2051
  • Diversificar fornecedores externos, com três a cinco origens por produto básico
  • Reduzir perdas ao longo da cadeia
  • Ampliar o uso de tecnologias adaptadas ao ambiente desértico

A iniciativa reúne dezenas de ações voltadas à produção, logística e inovação.

Agricultura em ambiente controlado

Com limitações naturais, o avanço da produção local depende de sistemas intensivos e controlados. Entre as soluções adotadas estão:

  • Agricultura vertical
  • Hidroponia
  • Cultivo em ambiente fechado
  • Desenvolvimento de sementes tolerantes ao calor e à salinidade

Esses métodos permitem reduzir o uso de água e ampliar a produtividade em áreas restritas.

Estrutura logística ganha escala

Além da produção, o país investe em distribuição e armazenamento. Um dos principais projetos é o Dubai Food District, que deve transformar a região de Al Aweer em um grande centro de alimentos.

O complexo prevê:

  • Área de 2,69 milhões de metros quadrados
  • Cadeia de frio integrada
  • Armazéns com controle de temperatura
  • Sistemas digitais de documentação
  • Centros de inspeção

A proposta é concentrar etapas como armazenamento, processamento e distribuição em um único espaço, com foco na redução de perdas.

Expansão agrícola fora do país

Outra frente envolve a aquisição de ativos no exterior. Fundos ligados a Abu Dhabi ampliaram participação em empresas e terras agrícolas em diferentes continentes.

Entre os movimentos estão:

  • Participação indireta de 45% na Louis Dreyfus Company
  • Controle de 50% da Al Dahra Holding
  • Gestão de cerca de 161 mil hectares de áreas agrícolas

As operações incluem propriedades na Europa, África e América do Norte, além de negociações para novos projetos no Quênia.

Incentivo à inovação

O investimento em tecnologia também integra a estratégia. Em 2019, foi lançado um programa de US$ 272 milhões para atrair empresas de agrotecnologia.

Os recursos foram destinados a:

  • Empresas especializadas em cultivo indoor e irrigação de precisão
  • Startups voltadas à produção sustentável

Há ainda parcerias para o desenvolvimento de sementes adaptadas ao clima local, com foco em culturas como tomate, pepino e melão.

Crescimento pressiona demanda

A população dos Emirados ultrapassa 11,5 milhões em 2026 e pode chegar a 15,3 milhões até 2050. A demanda por alimentos deve atingir cerca de 8,8 milhões de toneladas anuais até 2029.

Esse cenário ocorre em meio a tensões geopolíticas e eventos que afetam cadeias globais de suprimento, como conflitos armados e instabilidades em rotas marítimas.

Diante dessas condições, o país amplia investimentos para reduzir vulnerabilidades e manter o abastecimento em um ambiente de incerteza.

Fonte: Compre Rural.