Geopolítica

Brasil aposta na recuperação da produção de cobre para atender à demanda global em expansão

Com o crescimento previsto na demanda por cobre até 2035, impulsionado por veículos elétricos e inteligência artificial, o Brasil busca ampliar sua participação na mineração do metal, concentrada principalmente em Carajás, no Pará.

Cobre em alta: demanda global com carros elétricos, alerta da IEA e aposta em Carajás para Brasil crescer na oferta.
Cobre em alta: demanda global com carros elétricos, alerta da IEA e aposta em Carajás para Brasil crescer na oferta – Foto: Gerada com IA.

O aumento da procura por cobre, fundamental para a eletrificação de veículos, redes de energia e tecnologia digital, coloca o Brasil em posição de potencial destaque. Atualmente responsável por cerca de 1% da produção mundial, o país possui reservas relevantes e minas em operação, principalmente no Pará, Goiás e Alagoas, mas enfrenta o desafio de ampliar sua capacidade produtiva para atender às projeções globais.

Por que o cobre é considerado o metal da eletrificação

O cobre desempenha papel central na transmissão de energia e na fabricação de componentes de veículos elétricos e equipamentos de geração renovável. Sua baixa resistência elétrica, durabilidade e alta condutividade térmica tornam-no insumo essencial para a infraestrutura de eletrificação, além de apresentar um custo relativamente acessível.

Demanda por cobre impulsionada por inteligência artificial e data centers

O avanço da inteligência artificial aumenta a necessidade de infraestrutura elétrica em data centers, onde o cobre é utilizado em sistemas de distribuição de energia, resfriamento e redes de conexão. Essa demanda adicional reforça a pressão sobre o mercado, que já vive um momento de alta nos preços devido à expectativa de déficit na oferta.

Projeções de déficit de oferta elevam preços do cobre

Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), a demanda global por cobre pode superar a oferta em até 30% até 2035, caso novos projetos de mineração não avancem no ritmo necessário. Como consequência, os preços do metal têm registrado altas, com o cobre atingindo mais de US$ 14.500 por tonelada em janeiro de 2026, após ultrapassar US$ 12 mil em dezembro de 2025.

Brasil mantém participação modesta na produção mundial

Atualmente, o Brasil responde por aproximadamente 1% da produção global de cobre, concentrada em minas no Pará, Goiás e Alagoas. Segundo estudos do Ibram, o país deve receber cerca de US$ 8,6 bilhões em investimentos no setor até 2030, indicando um ciclo de crescimento que pode alterar essa participação no mercado internacional.

Principais polos de produção e potencial de novas descobertas

O maior centro de produção está em Carajás, no Pará, onde operam minas como Sossego e Salobo. Goiás, com a mina de Chapada, e Alagoas, com a mina Serrote, também figuram como destaques nacionais. Além das operações atuais, há esforços focados na prospecção de novas áreas, especialmente na região de Carajás, Vale do Curaçá na Bahia e no Arco Magmático de Goiás, ampliando o potencial de descobertas de cobre no país.

Projetos estratégicos e investimentos recentes

O Projeto Furnas, desenvolvido pela Ero Copper em parceria com a Vale, é uma das iniciativas mais aguardadas, com previsão de vida útil de 24 anos e produção de cerca de 108 mil toneladas de cobre equivalente por ano nos primeiros anos. Com um investimento estimado em US$ 1,3 bilhão, a mina deve se consolidar como uma das principais do país.

A Vale, por sua vez, anunciou investimentos de US$ 3,5 bilhões até 2030 para expandir sua produção em Carajás, visando atingir cerca de 700 mil toneladas anuais até 2035. O CEO Gustavo Pimenta destacou a percepção de escassez de cobre no mercado e a intenção da companhia de assumir um papel importante na oferta do metal.

Oportunidades e desafios para o Brasil no setor de cobre

O momento atual oferece ao Brasil uma janela de oportunidade para ampliar sua participação na cadeia do cobre, fundamental para energia, mobilidade e infraestrutura digital. Para isso, é necessário acelerar os processos de licenciamento, investimento em projetos e desenvolvimento de novas minas, de modo a acompanhar o ritmo do mercado global.

O desafio será transformar o potencial de reservas e projetos em produção efetiva, garantindo que o país consiga sair do patamar atual de 1% e se tornar uma referência na mineração de cobre mundial.

Fonte: Click Petróleo e Gás.