
A equipe de pesquisa liderada por Soumen Mandal, da Escola de Agricultura Shenyang, na China, criou um material inovador a partir de resíduos de sementes de nim, que funciona como uma bateria de calor eficiente para armazenamento de energia térmica. A inovação visa ampliar o uso de fontes renováveis, como solar e eólica, por meio de sistemas capazes de armazenar energia de forma sustentável e de baixo custo.
O biocarvão, obtido por meio da pirólise de biomassa, é tradicionalmente utilizado para melhorar o solo ou sequestrar carbono. Agora, estudos demonstram que ele também pode atuar como um material de mudança de fase, capaz de absorver, armazenar e liberar calor de forma eficiente, além de contribuir para a redução de emissões de carbono.
O desafio de armazenar energia gerada por fontes intermitentes, como a solar e a eólica, é uma barreira para a expansão dessas tecnologias. Pesquisadores desenvolveram um material de mudança de fase baseado em biocarvão que apresenta alta capacidade de armazenamento térmico e potencial de uso em aplicações sustentáveis.
![Biocarvão de sementes de nim moduladas por temperatura para aplicações de armazenamento sustentável de energia térmica. [Imagem: Soumen Mandal et al. - 10.1007/s42773-025-00510-x]](https://agrozil.com.br/wp-content/uploads/2026/04/010125260205-bateria-de-calor-neem.jpg)
Ao contrário do carvão vegetal, cujo objetivo é a queima para geração de energia, o biocarvão ou biochar é produzido por pirólise de biomassa, com foco na captura de carbono e na melhoria do solo. Entretanto, estudos indicam que esse material também pode funcionar como uma bateria de calor, armazenando energia térmica de forma eficiente.
Soumen Mandal e sua equipe mostraram que a temperatura de produção do biocarvão influencia significativamente sua capacidade de armazenamento de energia térmica, oferecendo uma alternativa de baixo custo com emissão negativa de carbono para sistemas de armazenamento energético.
O procedimento envolveu transformar resíduos de sementes de nim em biochar, através de aquecimento em condições de baixa oxigenação a temperaturas de 300°C e 500°C. O material resultante foi impregnado com ácido láurico, um ácido graxo utilizado em armazenamento de energia térmica.
![As sementes de neem são resíduos agrícolas amplamente disponíveis, frequentemente descartadas após a extração de óleo. A conversão dessas sementes em biochar agrega valor à biomassa residual e sequestra carbono que, de outra forma, retornaria à atmosfera. [Imagem: Soumen Mandal et al. - 10.1007/s42773-025-00510-x]](https://agrozil.com.br/wp-content/uploads/2026/04/010125260205-bateria-de-calor-neem-1.jpg)
O biochar produzido a 500°C apresentou uma área superficial interna superior a 600 m² por grama, o que favoreceu a retenção de maior quantidade de ácido láurico. Assim, o composto de alta temperatura conseguiu armazenar quase o dobro de calor latente em relação ao produzido a temperaturas mais baixas.
Esse material de mudança de fase, que absorve calor ao derreter e o libera ao solidificar, mostrou-se muito estável em testes laboratoriais, mantendo sua capacidade de armazenamento por centenas de ciclos de aquecimento e resfriamento, com armazenamento de até 95 joules de calor por grama.
Segundo os pesquisadores, a estabilidade do material é fundamental para aplicações práticas, como sistemas de energia solar, edifícios inteligentes e recuperação de calor industrial, garantindo funcionamento confiável por anos sem degradação ou vazamentos.
Fonte: Inovação Tecnológica.









