Tecnologia

Madeira transparente reduz temperatura e bloqueia raios UV sem consumo de energia

Tecnologia inovadora combina madeira termocrômica com janelas inteligentes, oferecendo isolamento térmico e proteção UV sem necessidade de eletricidade.

A madeira transparente termocrômica comutável preenchida com cristal líquido disperso em polímero apresenta excelente desempenho de bloqueio ultravioleta para janelas inteligentes. [Imagem: Cheng Ai Li et al. - 10.1007/s42114-025-01481-0]
A madeira transparente termocrômica comutável preenchida com cristal líquido disperso em polímero apresenta excelente desempenho de bloqueio ultravioleta para janelas inteligentes – Imagem: Cheng Ai Li et al. – 10.1007/s42114-025-01481-0.

Ao pensar em janelas de madeira, geralmente imaginamos estruturas com painéis de vidro transparente ou translúcido. No entanto, uma equipe de cientistas coreanos criou uma alternativa que dispensa o vidro, utilizando madeira totalmente transparente e inteligente, com potencial para reduzir custos de energia e ampliar opções sustentáveis na construção.

Essa inovação combina a madeira transparente com o conceito de janelas inteligentes, resultando em uma solução ambientalmente amigável que mantém o conforto térmico de ambientes internos, sem a necessidade de eletricidade.

O material desenvolvido apresenta baixa condutividade térmica, alta transparência e capacidade de bloquear raios UV e infravermelhos, o que possibilita uma proteção térmica eficiente sem consumo de energia elétrica.

Segundo o professor Jin Kim, da Universidade Nacional Hanbat, na Coreia do Sul, o biocompósito de madeira transparente possui uma condutividade térmica de 0,197 W/m·K, sendo quase cinco vezes mais isolante que o vidro comum, o que reduz significativamente as perdas ou ganhos de calor em edificações.

Além de sua aplicação em janelas, a tecnologia tem potencial para uso em estufas agrícolas, monitores de saúde vestíveis e outros dispositivos que se beneficiam de controle passivo de luz e calor.

O método consiste em dispersar cristal líquido em um polímero curável por UV, formando uma madeira que altera sua transparência de acordo com a temperatura. Testes com madeiras de balsa, tília e pinho demonstraram a eficácia dessa abordagem.

As janelas fabricadas com essa madeira termocrômica ajustam sua transmitância de luz visível conforme a temperatura ambiente, sem necessidade de energia adicional. A versão com madeira balsa, por exemplo, aumenta sua transparência de 28% a temperaturas mais amenas para até 78% a 40 °C.

Essa capacidade de autorregulação permite criar dispositivos de controle térmico passivos, que funcionam de forma autônoma, sem eletricidade, promovendo maior eficiência energética.

A tecnologia tem aplicações muito além das janelas, das estufas agrícolas aos monitores de saúde. [Imagem: Cheng Ai Li et al. - 10.1007/s42114-025-01481-0]
A tecnologia tem aplicações muito além das janelas, das estufas agrícolas aos monitores de saúde – Imagem: Cheng Ai Li et al. – 10.1007/s42114-025-01481-0.

O material é produzido dispersando cristal líquido em polímero curável por UV, que modifica a transparência natural da madeira, tornando-a passível de controle de transmissão de luz conforme a temperatura.

Os testes com madeiras de balsa, tília e pinho mostraram que a madeira transparente ajusta sua transmitância de luz visível de forma eficiente, atingindo até 78% de transparência a 40 °C, enquanto permanece opaca a temperaturas mais baixas.

Essa tecnologia permite uma regulação passiva de luz e calor, eliminando a necessidade de sistemas eletrônicos ou energia externa, além de oferecer alta proteção contra radiação UV, bloqueando quase 100% dos raios UVA.

Segundo o pesquisador Jin Kim, a madeira balsa termocrômica apresenta condutividade térmica quase cinco vezes menor que a do vidro convencional, contribuindo para a redução de custos de climatização em edifícios.

Além da eficiência no isolamento térmico, o material oferece privacidade à noite, pois sua transparência varia conforme a luz e a temperatura, além de proteger contra radiação UV, o que o torna uma alternativa sustentável ao vidro tradicional.

Kim explica que a inovação pode ser aplicada em estufas inteligentes, ajustando automaticamente a entrada de luz solar para evitar queimaduras nas plantas e manter temperaturas internas estáveis. Também há potencial para o desenvolvimento de monitores de saúde vestíveis, que se tornam transparentes ao detectar temperaturas corporais elevadas, sem necessidade de componentes eletrônicos ou baterias.

Fonte: Inovação Tecnológica.