
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o governo anunciou nesta quinta-feira, 30 de abril, a expansão do programa Move Brasil. A nova fase do programa, que anteriormente destinava-se exclusivamente ao financiamento de caminhões, passa a contemplar também ônibus, micro-ônibus e implementos rodoviários, como reboques e carrocerias, ampliando o público-alvo e o volume de recursos disponíveis.
De acordo com o MDIC, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) será responsável pela operacionalização da linha de financiamento denominada BNDES Renovação de Frota, com um orçamento total de R$ 21,2 bilhões, sendo R$ 14,5 bilhões provenientes do Tesouro Nacional e R$ 6,7 bilhões de recursos adicionais do banco. As condições específicas da linha serão definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). O valor máximo de financiamento por beneficiário será de até R$ 50 milhões.
O programa destina-se a transportadores autônomos de cargas, pessoas físicas associadas a cooperativas de transporte rodoviário de cargas, além de empresários individuais ou pessoas jurídicas atuantes no setor de transporte rodoviário ou urbano de cargas e passageiros. Os recursos poderão ser utilizados na aquisição de veículos de fabricação nacional que atendam às regras de conteúdo local do BNDES. Para caminhoneiros autônomos e cooperativados, a medida permite também a compra de veículos seminovos, além de novos.
Durante cerimônia realizada no Palácio do Planalto, o ministro do MDIC, Márcio Elias Rosa, destacou o caráter sistêmico da iniciativa. Segundo ele, ao oferecer crédito com juros baixos e condições de pagamento diferenciadas, o Move Brasil favorece a renovação da frota, que se traduz em veículos mais econômicos, seguros e com menor impacto ambiental. O ministro ressaltou ainda que a medida impulsiona as vendas e gera efeitos positivos em toda a cadeia automotiva, desde a fabricação de autopeças até o atendimento nas concessionárias, contribuindo para a manutenção de empregos no setor de veículos pesados.
A ampliação do programa também prevê o fortalecimento do apoio aos transportadores autônomos, considerados mais vulneráveis às oscilações econômicas. Entre as melhorias estão a redução das taxas de juros, o aumento do prazo máximo de pagamento para até 10 anos — o dobro do prazo anterior — e a extensão do período de carência de seis para 12 meses, propostas que ainda serão avaliadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). O volume de recursos destinado exclusivamente aos autônomos será de R$ 2 bilhões, o que representa o dobro do valor disponível em 2025.
Desde o início de 2026, o programa já disponibilizou R$ 10 bilhões, com juros abaixo do mercado, que foram utilizados em apenas dois meses por mais de 8 mil operações de compra de caminhões novos em todas as regiões do país, envolvendo caminhoneiros autônomos, cooperativados e frotistas. Com a nova etapa, o volume de recursos foi dobrado.
De acordo com o MDIC, o ministro Márcio Elias Rosa afirmou que o programa obteve sucesso significativo e que, por isso, o governo decidiu ampliar sua abrangência.
Modernização da frota e eficiência logística
O transporte rodoviário desempenha papel fundamental na integração nacional e na garantia de acesso a bens e serviços essenciais. Entretanto, o setor enfrenta atualmente um elevado grau de obsolescência da frota, o que eleva os custos de manutenção, reduz a eficiência energética, aumenta as emissões de poluentes e eleva os riscos operacionais e de segurança.
Ao incentivar a substituição de veículos antigos por modelos mais modernos, eficientes e sustentáveis, o Move Brasil busca contribuir para a redução de custos logísticos, aumento da produtividade, melhoria na segurança viária e fortalecimento da indústria nacional de veículos e implementos rodoviários.
Sustentabilidade e transição energética
Os financiamentos concedidos pelo programa estarão condicionados ao cumprimento de critérios de sustentabilidade ambiental, social e econômica, estimulando a aquisição de veículos com menor consumo de combustíveis e emissões reduzidas. A iniciativa está alinhada aos compromissos climáticos do Brasil e às agendas de transição energética e descarbonização, em consonância com os objetivos assumidos pelo país, incluindo os compromissos na COP30.
Medidas Provisórias
Durante o evento, também foram anunciadas duas Medidas Provisórias. A primeira autoriza a União a aumentar sua participação no Fundo Garantidor para Investimentos (FGI) em até R$ 2 bilhões, visando ampliar a capacidade do fundo de oferecer garantias em operações de crédito, especialmente para micro, pequenas e médias empresas (MPMEs). Além disso, a MP prevê a extensão dos prazos de carência e pagamento dessas operações.
O FGI tem como objetivo facilitar o acesso ao crédito por parte das MPMEs, compartilhando o risco das operações com os agentes financeiros. O reforço patrimonial do fundo aumenta sua capacidade de concessão de garantias, preservando o acesso ao financiamento para empresas viáveis.
A segunda Medida Provisória cria um Crédito Extraordinário de R$ 17 bilhões, destinado a financiar o aporte de R$ 2 bilhões no FGI, além de recursos de R$ 14,5 bilhões para a ampliação do Move Brasil e R$ 500 milhões ao Fundo Garantidor de Operações de Comércio Exterior (FGCE), com o objetivo de ampliar a oferta de garantias públicas às exportações.
Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.








