
A JBS, maior exportadora de carne bovina do mundo, interrompeu a fabricação de cortes destinados à China a partir de 20/11, uma decisão que movimenta o setor pecuário brasileiro e acende sinais de atenção no mercado de boi gordo. A medida está relacionada ao avanço acelerado das exportações brasileiras e ao risco do país ultrapassar a cota de importação estabelecida pelo governo chinês para 2026.
Atualmente, 18 das 34 plantas frigoríficas da JBS no Brasil estão habilitadas para exportar carne à China, principal destino da proteína brasileira no exterior. Com a cota próxima do limite, a companhia decidiu suspender temporariamente as operações de exportação para evitar embarques além do volume autorizado, o que poderia resultar em tarifas mais elevadas.
Limite de importação e aumento de tarifas na China
O cerne da decisão envolve o mecanismo de salvaguarda adotado pela China nas importações de carne bovina. Para 2026, o Brasil dispõe de uma cota de aproximadamente 1,106 milhão de toneladas, com uma tarifa de entrada de 12%. No entanto, mais da metade desse volume já havia sido utilizado até o começo de maio, sendo que, somente naquele mês, o país embarcou quase 154 mil toneladas de carne para a China.
Se o limite for ultrapassado, uma sobretaxa adicional de 55% é aplicada, elevando a tarifa total para 67%. Essa alta torna inviáveis economicamente novas vendas ao mercado chinês durante o período, além de aumentar significativamente o custo de importação.
Reorientação da produção e impacto no mercado interno
Segundo Renato Costa, presidente da Friboi e do conselho da ABIEC, a estratégia da JBS será focar nos embarques já previstos e reorganizar a destinação da carne produzida. Parte do volume será direcionada ao mercado interno, além de acelerar vendas para outros destinos internacionais atendidos pela companhia.
Além disso, a empresa aposta na elevação do consumo interno nas próximas semanas, impulsionada pela realização da Copa do Mundo e por campanhas comerciais no varejo nacional.
Potencial pressão sobre os preços do boi
Embora a JBS declare que não haverá redução no volume total de vendas, analistas alertam para riscos no mercado de boi gordo. Fernando Iglesias, da Safras & Mercado, observa que esse movimento não é exclusivo da JBS e já vem sendo adotado por outros frigoríficos exportadores.
Com uma menor necessidade de compra de animais para abate devido à redução de exportações para a China, a pressão de compra sobre o mercado interno diminui, o que pode resultar em quedas nos preços da arroba.
Resumidamente, se frigoríficos abatem menos animais, há uma redução na demanda por boi no mercado interno, o que pode afetar negativamente os preços pagos ao produtor rural nas próximas semanas.
A dependência do mercado chinês na pecuária brasileira
O episódio reforça um cenário já conhecido: a forte dependência do Brasil em relação ao mercado chinês para a exportação de carne bovina. Mesmo com a possibilidade de redistribuir a produção para outros destinos, a demanda chinesa continua a influenciar significativamente as decisões do setor.
Para os produtores rurais, o momento exige atenção redobrada às escalas de abate, ao comportamento das indústrias e à movimentação do mercado internacional nas próximas semanas, pois esses fatores podem impactar diretamente os preços e a rentabilidade.
Fonte: Comprerural.








