
Enquanto muitos jovens deixam o campo em busca de oportunidades nas cidades, Gabriel optou por permanecer na agricultura. Há 12 anos, vive no extremo sul de São Paulo e, há dois anos, dedica-se à produção de hortaliças orgânicas no Sítio Floresta, utilizando a atividade como fonte de renda e conexão com a terra.
A relação de Gabriel com o cultivo começou na infância, influenciada pela mãe, que trabalhava com paisagismo e jardinagem. Desde cedo, acompanhou a rotina de compra e venda de produtos no Ceasa e teve contato com plantas, adubos e substratos.
“Minha mãe era paisagista e tinha uma empresa de jardinagem. Desde pequeno, tive contato com a natureza e as plantas”, relata o produtor.
A rotina diária de Gabriel concentra-se na horta, onde realiza manejo, plantio e colheita logo pela manhã, além de atividades técnicas ao final do dia, como adubações e aplicações foliares.
“Aqui é meu local de moradia, produção e sustento”, afirma.
Produção orgânica em expansão
No Sítio Floresta, Gabriel cultiva hortaliças como alface crespa, coentro, salsa, couve, mostarda crespa e almeirão pão de açúcar. Embora a produção ainda não atinja a capacidade máxima da propriedade, há planos de expansão da área cultivada.
O crescimento da produção foi impulsionado pela abertura de novos canais de comercialização. Atualmente, os produtos são vendidos ao Armazém Solidário, o que permitiu ampliar as vendas.
“Sem o Armazém Solidário, não teria para quem vender o que produzo aqui no sítio”, explica.
Com a expansão do projeto para uma nova unidade, Gabriel pretende dobrar a produção para atender à demanda.
Apoio técnico e melhorias no cultivo
A evolução da propriedade contou com acompanhamento técnico e investimentos em infraestrutura. Segundo o técnico Saulo, que acompanha o sítio, o trabalho começou praticamente do zero, com melhorias na estrutura, incluindo instalação de caixa d’água, sistemas de irrigação e aquisição de mudas.
O produtor também recebeu suporte com maquinário para preparo do solo e manejo da área.
“Ele é um jovem dedicado. Representa uma alternativa ao envelhecimento do campo, demonstrando interesse e esforço na atividade”, destaca Saulo.
Entre as tecnologias adotadas, está o uso de sombrite, uma cobertura que mantém a umidade do solo, reduz a evaporação e protege as plantas do impacto direto do chuva e do sol.
Segundo o técnico, essa estratégia contribuiu para o aumento da produtividade.
“As plantas dele estão mais pesadas. Ele consegue, em uma área menor, obter um ganho maior”, explica.
O desafio da comercialização
Apesar do avanço na produção, a logística permanece como principal obstáculo para os agricultores do extremo sul de São Paulo. A distância até os centros de consumo eleva os custos e dificulta a entrega dos produtos.
“Produzir é uma coisa, vender é outra. É preciso planejar o público, os locais de venda e a logística”, afirma Saulo.
Gabriel explica que os produtores atualmente se organizam para levar os alimentos ao Armazém Solidário, mas há planos de criar uma estrutura coletiva para ampliar as vendas.
“Nos próximos anos, esperamos ter um caminhão circulando por São Paulo atendendo toda a rede”, conclui.
Fonte: Planeta Campo.








