Agricultura

Dicas práticas para o cultivo de mandioca no agronegócio

A mandioca, vital para o setor agro no Brasil, possui variedades brava e mansa, com impacto na produção de farinha e consumo imediato, respectivamente. O cultivo, que envolve manejo de solo, pragas e colheita após 8 meses a 3 anos, é essencial para garantir produtividade e qualidade no país.

Plantar mandioca requer poucos cuidados; é importante conhecer as diferenças entre as variedades mansa e brava para iniciar a produção - Foto: Reprodução.
Plantar mandioca requer poucos cuidados; é importante conhecer as diferenças entre as variedades mansa e brava para iniciar a produção – Foto: Reprodução.

Macaxeira, aipim, maniva, manaíba, carimã, uapi e castelinha são nomes regionais para a mandioca. Apesar das diferentes denominações, as principais distinções relevantes para o cultivo e comercialização são entre a mandioca-brava e a mandioca-mansa. Conhecer essas diferenças é fundamental para quem deseja produzir ou vender a raiz de forma adequada.

A distinção entre mandioca-brava e mansa é essencial, especialmente para fins comerciais. A mandioca-brava, também conhecida como industrial, é utilizada na fabricação de farinha, fécula ou amido, além de poder ser triturada e exposta ao sol por pelo menos 24 horas para uso na alimentação de animais. Já a mandioca-mansa, ou de mesa, é mais adequada ao consumo imediato, pois permite preparo sem necessidade de processamento adicional e é mais fácil de comercializar.

Qual mandioca plantar

Apesar de serem a mesma planta, diferentes tipos de mandioca variam conforme a região do país, com diferenças na casca (escura ou clara) e na cor da polpa (branca ou amarelada). A escolha da variedade deve considerar a preferência local e a finalidade do cultivo, seja para consumo, venda ou processamento.

A principal diferenciação entre mandioca-brava e mansa está na utilização. A mandioca-brava, ou industrial, é amplamente empregada na produção de farinha, amido ou fécula, além de poder ser usada na alimentação de gado após trituração e exposição ao sol por pelo menos 24 horas. Essa variedade possui maior teor de cianeto e requer cuidados específicos na manipulação.

A mandioca-mansa, também chamada de doce ou de mesa, é mais fácil de comercializar devido ao consumo imediato, sem necessidade de processamento complexo. A escolha entre uma e outra deve considerar a demanda do mercado, o uso pretendido e as condições de cultivo.

Reconhecer visualmente a diferença entre mandioca-brava e mansa é praticamente impossível. Portanto, é importante verificar a origem da raiz ao plantar. Caso haja dúvida, recomenda-se realizar análise laboratorial para determinar o teor de cianeto, garantindo a escolha correta e evitando surpresas na produção.

Como plantar mandioca

O plantio de mandioca deve preferencialmente ocorrer na estação chuvosa, pois a umidade e a temperatura favorecem a brotação nas fases iniciais. Apesar de a cultura suportar períodos secos e exigir condições moderadas de clima e solo, o sucesso do cultivo está relacionado ao manejo adequado durante o estabelecimento.

1 – Etapa 1: o plantio

O solo ideal para o plantio de mandioca deve ser profundo, arenoso ou de textura média, com bom sistema de drenagem. Solos argilosos, compactados ou com encharcamento frequente, especialmente em áreas de baixa altitude, podem comprometer a produção. Faça covas de 25 centímetros de largura, com profundidade entre 5 e 10 centímetros, e plante as ramas (caule da planta com aproximadamente 2,5 cm de comprimento). É fundamental que o local receba luz solar direta.

Posicione as manivas na vertical para raízes mais profundas e maior rendimento, embora a colheita seja mais trabalhosa. Para facilitar a colheita, plante na horizontal, no sentido do sulco, o que resulta em raízes mais superficiais. Mantenha espaçamento de 1 metro entre as fileiras e de 50 a 60 centímetros entre as plantas.

A disposição das manivas influencia o desenvolvimento e a facilidade de colheita. Plantar na vertical aumenta o rendimento, mas requer mais esforço na retirada das raízes. Plantar na horizontal acelera a colheita, facilitando o manejo, especialmente em áreas de produção comercial.

2 – Etapa 2: o cultivo

Em regiões de clima frio, quando a planta atingir entre 15 e 20 centímetros de altura e estiver brotando há pelo menos 10 a 12 meses, pode-se realizar uma poda. Essa prática é recomendada apenas se for necessário renovar o plantio fora do período de colheita, pois pode reduzir a produtividade. Além disso, é importante controlar plantas invasoras ao redor da cultura.

Embora a mandioca seja pouco exigente em nutrientes, a manutenção do solo livre de plantas invasoras e a irrigação adequada contribuem para melhores resultados. Apesar de resistente à seca, períodos prolongados sem água podem prejudicar o desenvolvimento da planta.

Pragas comuns na cultura incluem o mandarová, ácaros, percevejo de renda, mosca branca, brocas do caule, cupins e formigas. O manejo integrado de pragas (MIP), que combina controle biológico e uso de defensivos específicos, é recomendado para manter a saúde da plantação.

3 – Colheita

A mandioca é uma cultura de ciclo longo, podendo ser colhida a partir do oitavo mês, quando as raízes atingirem mais de 3 centímetros de diâmetro. No entanto, a colheita geralmente ocorre após dois a três anos, dependendo da variedade, região e condições de cultivo.

As dicas para iniciar o cultivo de mandioca incluem o manejo adequado do solo, escolha da variedade correta e atenção às pragas. A produção de raízes de qualidade depende de práticas de cultivo bem planejadas e do monitoramento contínuo da cultura.

Fonte: Bel Agro.