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Estratégias para controlar as formigas cortadeiras no agronegócio

Infestação de formigas cortadeiras ameaça plantações de eucalipto e hortas no Brasil, causando prejuízos à produtividade agrícola; controle químico e mecânico são essenciais para mitigar os impactos.

Formigas cortadeiras podem prejudicar pomares, hortas e jardins; controle químico e mecânico é necessário para prevenir e combater a infestação - Foto: Reprodução.
Formigas cortadeiras podem prejudicar pomares, hortas e jardins; controle químico e mecânico é necessário para prevenir e combater a infestação – Foto: Reprodução.

Pontinhos verdes correndo pelo jardim, horta ou pomar indicam infestação de formigas cortadeiras, insetos que cortam folhas e flores para transportar até seus ninhos subterrâneos. Essas trilhas levam a formigueiros geralmente localizados abaixo da terra.

As operárias dessas formigas carregam peso e percorrem longas distâncias, o que pode gerar admiração, mas também prejuízos à produtividade agrícola. Ao avistar trilhas de formigas, é comum pensar em medidas para controlar a infestação.

Se a sua propriedade apresenta esse problema, o controle químico e mecânico são alternativas eficazes para eliminar as formigas cortadeiras e proteger as plantas. A seguir, são apresentadas estratégias para o manejo.

Formigas cortadeiras: espécies e impacto

Espécies como quenquém, saúva-de-vidro, saúva limão e saúva-mata-pasto cortam folhas para alimentar fungos que servem de alimento às próprias formigas. Elas utilizam esse material para manter seus ninhos e sustentar a colônia.

O impacto dessas formigas pode ser significativo, pois podem desfolhar árvores em poucas horas, prejudicando a saúde e o crescimento de plantas, especialmente em cultivos de eucalipto, onde podem afetar o diâmetro e altura dos troncos, reduzindo a produtividade.

Em jardins, hortas e pomares, a infestação pode impedir o desenvolvimento de mudas e diminuir a resistência das plantas a outros insetos, além de causar desequilíbrios na biodiversidade local.

Controle de formigas cortadeiras

O manejo das formigas cortadeiras pode ser preventivo ou corretivo, utilizando soluções mecânicas, como barreiras físicas, ou químicas, com o uso de iscas e outros produtos específicos. A seguir, detalhes sobre cada método.

Controle mecânico

A escavação do formigueiro para eliminar a rainha é uma técnica eficiente em ninhos com até quatro meses de idade, quando a rainha está a cerca de 20 centímetros de profundidade. Essa prática, porém, pode ser de alto custo em áreas extensas devido ao tempo e mão de obra necessários.

Para áreas maiores, uma alternativa mais prática é a instalação de barreiras físicas ao redor das plantas, como cones invertidos feitos de garrafas PET ou tiras de material liso com graxa ou vaselina, que impedem a passagem das formigas até as folhas.

Em pomares, proteger o tronco das árvores com cones ou chapéus chineses pode evitar que as formigas alcancem a copa. Essas soluções são de baixo custo e fáceis de aplicar em pequenas áreas.

Outra estratégia é o uso de tiras adesivas ou cobertas com materiais escorregadios ao redor dos troncos, que dificultam a passagem das formigas, embora exijam manutenção periódica devido à deterioração ou limpeza pela chuva.

Para mudas e hortaliças, recomenda-se o cultivo em viveiros suspensos, evitando contato direto com o solo, o que reduz o risco de infestação.

Controle químico

O controle químico é indicado em casos de infestação consolidada ou quando a escavação do formigueiro não é viável. É uma solução eficiente e de custo relativamente baixo, especialmente em áreas de grande extensão.

As iscas granuladas, contendo ingredientes tóxicos como Fipronil ou Sulfluramida, atraem as formigas, que carregam o produto para o interior do formigueiro, levando ao colapso da colônia ao intoxicar as operárias responsáveis pela produção de fungos.

Ao serem levadas ao interior do ninho, as iscas contaminam as operárias, causando sua morte e interrompendo a alimentação das demais formigas. Assim, toda a colônia é atingida, incluindo ninhos de difícil acesso, tornando as iscas um método eficaz de controle.

Para obter bons resultados, as iscas não devem ser aplicadas em dias de chuva ou com solo úmido, pois podem se desintegrar. A quantidade de iscas deve seguir as recomendações do fabricante para evitar desperdício ou insuficiência.

O pó seco, aplicado diretamente no formigueiro com uma polvilhadeira, é uma alternativa econômica e eficiente para pequenos ninhos. Diferentemente das iscas, sua aplicação é localizada, e sua utilização em áreas extensas pode elevar os custos de mão de obra.

A termonebulização, que mistura um ingrediente tóxico com óleo diesel ou querosene, é uma técnica de controle que exige equipamento especializado. A fumaça gerada é inserida no formigueiro até que todas as saídas estejam tomadas, garantindo a eliminação do ninho, embora seja uma técnica de maior custo.

A prevenção e o controle das formigas cortadeiras são essenciais para evitar prejuízos na agricultura, hortas e jardins. A consulta a profissionais especializados pode aumentar a eficácia das estratégias adotadas, garantindo maior segurança e eficiência no manejo.

Fonte: Bel Agro.