
O percurso do café até a xícara envolve uma cadeia de etapas que começa na produção no campo, com a participação de milhares de agricultores. Em regiões montanhosas, como Minas Gerais, onde a mecanização é limitada pelo relevo, a colheita ainda é predominantemente manual, o que torna a mão de obra um dos principais desafios do setor cafeeiro brasileiro.
Segundo Tatiana Nakamura, representante da Nespresso, compreender toda a cadeia de produção é importante para valorizar o produto e minimizar o desperdício. Ela destaca que muitos consumidores descartam o café preparado sem considerar o esforço envolvido desde a colheita até a bebida final.
Ela ressalta que, embora seja comum descartar o café na pia, é importante lembrar que ele é uma fruta que passa por um processo complexo antes de chegar à nossa xícara.
Agricultura regenerativa
Nos últimos três anos, produtores de regiões como o Cerrado Mineiro, Alta Mogiana e Sul de Minas vêm adotando práticas de agricultura regenerativa, principais fornecedoras de café para a marca no Brasil.
Essas práticas visam recuperar a saúde do solo, aumentar a biodiversidade, reduzir emissões de carbono e fortalecer a resistência das lavouras às mudanças climáticas.
As ações incluem o uso de plantas de cobertura para proteção do solo, substituição parcial de fertilizantes sintéticos por orgânicos, aplicação de defensivos biológicos e cultivo de variedades de café mais adaptadas ao calor, seca e doenças.
Árvores e arbustos são integrados ao sistema produtivo para fornecer sombra, equilibrar o clima e atrair predadores naturais de pragas, reduzindo a necessidade de defensivos químicos.
Práticas de conservação de água também foram ampliadas, com sistemas de irrigação eficientes e reservatórios para períodos de estiagem, especialmente diante de eventos climáticos extremos.
A empresa informa que cerca de 95% do café adquirido no Brasil já provém de fazendas que atendem aos critérios do Plano de Qualidade Sustentável, meta inicialmente prevista para 2030.
Sustentabilidade após o consumo
As cápsulas devolvidas por consumidores em boutiques, pontos de coleta ou por logística reversa dos Correios são encaminhadas a centros de reciclagem em Valinhos (SP), onde alumínio e borra de café são separados.
A borra de café é utilizada na produção de biometano, um combustível renovável que abastece parte da frota de transporte responsável pelo recolhimento das cápsulas, contribuindo para a redução do uso de combustíveis fósseis.
O alumínio retornado à indústria é reciclado para a fabricação de novos produtos, como embalagens, utensílios e itens produzidos em parceria com outras empresas.
De acordo com Nakamura, o centro de reciclagem processa entre 90 e 100 toneladas de cápsulas mensalmente, com capacidade para reciclar todo o material devolvido. O principal desafio permanece na ampliação da participação dos consumidores na devolução das cápsulas usadas.
Atualmente, além das boutiques, a empresa possui mais de 400 pontos de coleta no país e oferece um serviço gratuito pelos Correios para que consumidores de qualquer região possam enviar as cápsulas para reciclagem.
Fonte: Planeta Campo.









