
O aumento de crimes no setor rural tem exposto vulnerabilidades no agronegócio brasileiro, levando à rápida expansão de tecnologias de monitoramento. Segundo dados recentes, os furtos e roubos de máquinas agrícolas tiveram um crescimento de 37,5% no primeiro semestre de 2025, enquanto os crimes envolvendo pick-ups, veículos essenciais para as atividades no campo, subiram 22,8% no mesmo período.
Com ativos de alto valor, operações dispersas por extensas áreas e recursos limitados para vigilância contínua, o ambiente rural se tornou desafiador em termos de segurança. Contudo, o que inicialmente surge como uma resposta ao aumento da criminalidade vem se transformando em uma mudança na gestão agrícola, promovendo maior controle e eficiência.
“O crescimento da criminalidade no campo não apenas alerta para a necessidade de proteção, como também impulsiona uma mudança de mentalidade. Os produtores estão percebendo que operar sem visibilidade e controle é arriscado”, afirma Paulo Buriti, gerente da Corpvs Segurança, especializada em soluções de monitoramento.
Monitoramento inteligente amplia o controle operacional
A evolução tecnológica no campo vai além da segurança patrimonial. Sistemas de monitoramento remoto, sensores inteligentes e rastreamento proporcionam uma visão detalhada e em tempo real das operações agrícolas.
Hoje, é possível determinar o horário de início e término do trabalho de uma máquina, identificar áreas cobertas, tempos de parada e rotas percorridas ao longo do dia. Essas informações, anteriormente dependentes de registros manuais ou percepções empíricas, agora são capturadas automaticamente com alta precisão.
“Ao trabalhar com dados concretos, o produtor consegue entender exatamente o que ocorreu, quando e como. Isso transforma a gestão, impactando diretamente na produtividade. Conhecendo o uso real dos equipamentos, é possível identificar gargalos, reduzir ociosidade e aprimorar o planejamento, além de proteger melhor os ativos existentes”, explica Buriti.
De acordo com o especialista, essa mudança representa um ponto de virada importante. “Muitos iniciam focando na segurança, mas logo percebem que o maior benefício está na eficiência operacional. Tecnologia oferece controle, e esse controle gera resultados”, conclui.
Segurança e eficiência integradas na tecnologia agrícola
Essas soluções atendem a um problema crescente: a dificuldade de monitorar áreas extensas de maneira contínua. Muitas vezes, furtos e invasões só são detectados horas ou dias após ocorrerem, dificultando ações de recuperação e aumentando prejuízos.
Com sistemas integrados, o monitoramento ocorre em tempo real, possibilitando identificar movimentações suspeitas, acessos não autorizados e comportamentos atípicos. “Hoje, é possível detectar uma movimentação fora do padrão quase imediatamente, o que reduz o tempo de resposta e muitas vezes evita prejuízos”, afirma Buriti.
Além de ampliar a capacidade de resposta, essas tecnologias funcionam como elementos de dissuasão. “Quando há monitoramento ativo, o risco para quem tenta cometer delitos aumenta, o que naturalmente desestimula ações criminosas”, explica Buriti.
O principal diferencial dessas ferramentas está na integração entre segurança e gestão operacional. Centralizando informações em uma única plataforma, o produtor adquire uma visão estratégica mais ampla do negócio. “Segurança e administração deixam de atuar de forma isolada. Quando integradas, essas áreas proporcionam proteção aprimorada e maior eficiência operacional”, afirma.
Transformação na gestão agrícola com uso de tecnologia
A tendência acompanha a evolução do setor agrícola brasileiro, que já é reconhecido por sua alta tecnologia em produtividade, e passa a incorporar novas camadas de inteligência de gestão.
Com o aumento do valor dos ativos e o crescimento da complexidade das ações criminosas, o uso de tecnologias de monitoramento tende a se consolidar ainda mais nas propriedades rurais. “Não se trata mais de inovação, mas de necessidade. Quem não conseguir ter visibilidade da operação estará mais vulnerável a perdas e menos competitivo”, avalia Buriti.
Segundo o especialista, o campo vive um momento de profissionalização crescente na gestão. “Quem consegue unir tecnologia, controle e uma visão estratégica opera melhor, reduz riscos e obtém maior previsibilidade. Essa é a direção natural do setor”, conclui.
Tecnologia impulsiona ganhos operacionais além da segurança
Um exemplo dessa integração entre segurança, tecnologia e gestão vem da parceria entre a Corpvs e a Avine, uma das maiores produtoras de ovos do país. Com telemetria e inteligência artificial, a operação passou a monitorar em tempo real o desempenho de motoristas, otimizar rotas e controlar variáveis como temperatura de cargas sensíveis.
Os resultados foram expressivos: redução de 31,6% nas perdas de ovos, economia de mais de R$ 800 mil em combustível e preservação de 1,3 milhão de unidades que não precisaram ser descartadas. Além disso, a otimização logística evitou o consumo de 148 mil litros de diesel e contribuiu para a preservação de mais de 2 mil árvores.
“Grande parte do desperdício vinha de pontos não visíveis no dia a dia, como tempo excessivo de motor ligado ou condução inadequada. A tecnologia trouxe essa visibilidade e permitiu ações corretivas rápidas”, explica Buriti.
O projeto incluiu sensores de temperatura e alertas em tempo real para garantir condições ideais durante o transporte. O próximo passo envolve câmeras embarcadas capazes de monitorar o comportamento dos motoristas e processos de carga e descarga.
Essa experiência demonstra que o uso de tecnologia no agronegócio vai além da prevenção de perdas, promovendo maior eficiência, redução de custos e impacto positivo em toda a cadeia produtiva.
Fonte: Compre Rural.









