
Enquanto o setor de commodities mantém a atenção da maior parte dos envolvidos no agronegócio, uma nova estratégia de cultivo busca ampliar os horizontes de rentabilidade, ao focar na produção de frutas de alto valor agregado. A iniciativa, liderada por uma companhia recém-fundada, aposta na conversão de pastagens em áreas de cultivo de avocado irrigado, com potencial para impulsionar a exportação brasileira do fruto e oferecer retornos mais expressivos.
A transformação de áreas de pasto em plantações de frutas representa uma oportunidade de abrir uma nova fronteira agrícola no país, contribuindo para que o Brasil se torne uma potência exportadora de culturas de alto valor. Essa estratégia visa diversificar a produção e ampliar a participação no mercado internacional de frutas.
Após cerca de dois anos de estudos e planejamento, a Barn Investimentos, tradicionalmente reconhecida no setor de venture capital, consolidou seu interesse na área agrícola ao criar a Altitude, uma nova companhia voltada ao desenvolvimento de culturas de valor agregado. A iniciativa busca atrair investidores e ampliar a presença brasileira no segmento de frutas premium.
No mês passado, a Altitude concretizou seu primeiro investimento: a aquisição de uma fazenda de 200 hectares no sul de Minas Gerais, próxima ao município de Poços de Caldas. O objetivo é transformar a propriedade, que atualmente é utilizada para soja e pecuária, em uma plantação irrigada de avocado, com previsão de produção a partir de 2027.
O projeto prevê uma conversão completa da área, com instalação de sistemas de irrigação que garantirão a produtividade ao longo de todo o ciclo da fruta. A previsão de maturação dos primeiros frutos é de quatro anos, em um investimento que busca garantir uma produção sustentável e de alta qualidade.
Além da fazenda adquirida, a Altitude planeja ampliar sua atuação por meio de novas aquisições, arrendamentos e parcerias com produtores locais. Nos primeiros anos, a estratégia inclui também a origem de avocado de terceiros, como forma de testar o mercado internacional e consolidar a marca no exterior.

Segundo Flavio Zaclis, fundador da Altitude, a experiência do Peru demonstra que é possível transformar uma produção incipiente em uma potência exportadora em pouco tempo, desde que haja estratégia de mercado, certificações e suporte governamental adequados.
Potencial de crescimento do avocado no Brasil
De acordo com Zaclis, o Brasil possui todas as condições para seguir o caminho de sucesso de países como o Peru. A demanda global por avocado cresce continuamente, e a produção brasileira ainda é concentrada em poucos estados, o que abre uma grande oportunidade de expansão.
Hoje, México e Peru dominam cerca de 60% das exportações mundiais do fruto. Outros grandes exportadores incluem Israel, Espanha e Quênia, embora estes tenham menor potencial de expansão devido a limitações climáticas ou de disponibilidade de áreas.
O Quênia é uma exceção, pois enfrenta desafios relacionados à escassez de água e de terras adequadas para ampliar sua produção. Para o Brasil, a oportunidade está justamente na possibilidade de ampliar a produção de avocado, atendendo ao crescimento do consumo global, que deve fazer do fruto a segunda fruta tropical mais comercializada até 2030, atrás apenas da banana, segundo projeções da OCDE.
O aumento da demanda se reflete na valorização dos preços. Nos últimos 30 anos, o valor de exportação do avocado triplicou, chegando a US$ 2,40 por quilo na Europa em 2022, ante US$ 1,50 em 2012.
Perspectivas de rentabilidade e valorização de terras
Para investidores, o cultivo de avocado oferece uma combinação atraente de retorno financeiro e valorização patrimonial. Zaclis destaca que o negócio deve gerar fluxo de caixa consistente e contribuir para a valorização das terras, especialmente em regiões com potencial para fruticultura de alta escala.
Ele explica que a conversão de uma terra não produtiva em uma plantação irrigada de avocado pode garantir uma receita de até R$ 225,8 mil por hectare, com margens líquidas próximas a 50%. Em comparação, o cultivo de grãos oferece uma margem de pouco mais de 20% e uma receita de cerca de R$ 7,2 mil por hectare.
O valor de terras destinadas ao cultivo de frutas de maior valor também é expressivo. Em regiões favoráveis, o preço pode ultrapassar R$ 300 mil por hectare, enquanto as terras de grandes produtoras de grãos, como a SLC Agrícola, valem aproximadamente R$ 58,9 mil por hectare útil.
A Altitude busca fazendas em altitudes acima de 800 metros, regiões que oferecem clima mais ameno e condições ideais para o cultivo de frutas de alto valor. Essa estratégia visa garantir a qualidade do produto e a competitividade no mercado internacional.
Fonte: The Agribiz.








