
Dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), confirmam que o volume embarcado em junho representa o maior já registrado para o mês, com aumento de 63,4% em relação ao mesmo período de 2025. A receita obtida com as vendas externas atingiu US$ 350,6 milhões, crescimento de 64,1%. Segundo a Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea), esses números evidenciam a consolidação do algodão brasileiro em mercados estratégicos na Ásia e Oriente Médio.
O resultado reforça o desempenho positivo do setor ao longo do primeiro semestre, período no qual o Brasil mantém ritmo de embarques elevado. Destinos como Bangladesh, Turquia, Paquistão e Vietnã concentraram 71,1% das exportações do mês, demonstrando a importância desses mercados para a sustentação do crescimento. Ainda durante o mês, dados parciais indicavam a possibilidade de superar o recorde de 160,4 mil toneladas registrado em junho de 2024.
Segundo Dawid Wajs, presidente da Anea, o desempenho de junho fecha um ciclo comercial de resultados expressivos. Ele destaca que, apesar de uma safra com início mais lento devido a atrasos, o Brasil conseguiu manter volumes elevados e atingir recordes em sete meses do período, de outubro a junho. “Foi uma safra de alta qualidade, que permitiu ao Brasil ampliar sua presença em mercados importantes mesmo com desafios iniciais”, afirmou Wajs.
Com esses resultados, o algodão representou 0,97% das exportações totais brasileiras em junho, ocupando a 17ª posição no ranking geral. No setor agropecuário, a fibra foi responsável por 4,31% das vendas externas do mês, figurando entre os três principais produtos embarcados pelo agronegócio brasileiro.
Principais mercados de destino
Bangladesh liderou as compras de algodão brasileiro em junho, adquirindo 21,7% do total exportado. Na sequência, aparecem Turquia (17,7%), Paquistão (17,4%) e Vietnã (14,3%). Outros destinos relevantes incluem Indonésia (7,6%), China e Índia, ambas com 6,3%, além de Malásia, Egito, Coreia do Sul, Tailândia, Maurício e Japão, em percentuais menores.
De acordo com a Anea, o Brasil avançou em mercados estratégicos ao longo da safra. Dawid Wajs afirma que Bangladesh, principal comprador do mês, atingiu o maior volume já importado do Brasil. A Turquia também estabeleceu seu recorde de compras, mantendo uma trajetória de crescimento. A Índia, por sua vez, mais do que dobrou as importações em relação ao volume máximo anteriormente registrado na safra passada.
“Bangladesh e Turquia são mercados nos quais o Brasil vem crescendo significativamente nos últimos anos. A Índia também apresentou um desempenho excepcional, dobrando o maior volume já importado do algodão brasileiro”, complementa Wajs.
A análise da associação aponta ainda a manutenção de mercados consolidados. A Indonésia, considerada um destino cativo, manteve estabilidade nas importações. Egito, Malásia e Coreia do Sul também continuam entre os principais compradores. Apesar de o volume exportado para a China não ter atingido recordes nesta safra, o país registrou seu segundo maior volume na história, reforçando a presença brasileira em um de seus principais mercados consumidores. O Vietnã, embora tenha apresentado recuo, manteve uma quantidade significativa de compras.
Diversificação de rotas de exportação
Outro aspecto destacado pela Anea é a diversificação logística. Embora o Porto de Santos permaneça como principal ponto de saída, o Porto de Salvador tem ampliado sua participação e se consolidado como uma rota cada vez mais relevante. Outras plataformas portuárias, como São Francisco do Sul, Paranaguá, Itaguaí, Itajaí e Rio de Janeiro, também contribuíram com volumes expressivos para o escoamento da produção nacional.
Segundo Wajs, “Salvador tem ganhado destaque como porto de exportação de algodão. Santos mantém sua liderança, mas a diversificação favorece a logística do setor, facilitando o acesso a diferentes mercados”.
Fonte: Anea.








