
Com essa expansão, a FS se consolida como a maior operadora de florestas plantadas em Mato Grosso, respondendo por cerca de metade da área total do estado. A empresa se aproxima de gigantes do setor de papel e celulose, como a Klabin, que possui aproximadamente 400 mil hectares de áreas plantadas em todo o Brasil. Assim, a FS já representa cerca de um quarto do volume de florestas da maior companhia do segmento no país.
O resultado é fruto de quase uma década de esforços, iniciados com a construção de sua primeira planta de etanol de milho em Lucas do Rio Verde (MT). A estratégia de expansão inclui investimentos de alto valor, refletindo o compromisso da empresa com a sustentabilidade e a autonomia energética.
Para alcançar essa capacidade, a FS investiu cerca de R$ 2 bilhões na implantação de suas florestas, considerando um custo médio de aproximadamente R$ 20 mil por hectare. Este investimento visa garantir a produção de biomassa suficiente para abastecer suas unidades, além de fortalecer seu posicionamento no mercado de bioenergia.
Segundo Rafael Abud, CEO da FS, a estratégia de negócios busca tornar a companhia carbono negativa, aproveitando características como o uso de milho na segunda safra, que preserva o solo, e a utilização de biomassa renovável. Essas ações contribuem para uma pegada de carbono inferior à de outros produtores internacionais de etanol de milho.
Além da questão ambiental, a expansão responde à expectativa de aumento substancial na produção de etanol de milho no Brasil, que demanda maior oferta de biomassa e consumidores. A busca por mercados de exportação, com certificações rigorosas, também faz parte da estratégia de posicionamento da companhia.
Abud destaca ainda que a demanda por biocombustíveis avançados, como os utilizados na aviação e no transporte marítimo, está diretamente ligada às metas globais de descarbonização. Por isso, a origem da biomassa, que deve atender a critérios de sustentabilidade e certificação, é fundamental para o sucesso dessas iniciativas.
No Brasil, a energia que alimenta as caldeiras das usinas de etanol de milho é proveniente de biomassa, como eucalipto, bambu e resíduos agroindustriais, incluindo casquinha de arroz, soja e soqueira de algodão. Essa matriz energética reforça o compromisso com práticas sustentáveis na produção de bioenergia.
A importância da biomassa na estratégia de expansão
O início da busca por matéria-prima sustentável remonta ao começo da atuação da FS, que adquiriu direitos sobre árvores plantadas em áreas destinadas à futura instalação de uma fábrica de celulose no sudeste de Mato Grosso. Assim, a companhia garantiu biomassa de forma flexível, sem a posse direta das terras, facilitando sua estratégia de expansão.
Com esses investimentos iniciais, a FS conseguiu suprir a demanda de curto prazo por biomassa para sua primeira planta de etanol. No entanto, a empresa manteve o foco na expansão, que previa a construção de cinco unidades no estado. Para antecipar a disponibilidade de matéria-prima, acelerou seus planos de plantio.
A companhia também conta com a FS Florestal, que arrenda áreas para plantio de eucalipto e mantém programas de incentivo a produtores terceirizados, oferecendo financiamento e contratos de compra de biomassa a longo prazo.
Atualmente, a área total de florestas plantadas pela FS ultrapassa 90 mil hectares, com previsão de atingir 100 mil até o final do ano. A maior parte dessas plantações é composta por eucaliptos, enquanto cerca de 13 mil hectares foram destinados ao cultivo de bambu, que possui ciclo de corte mais curto, de aproximadamente três anos.
Para financiar a expansão de sua base florestal, a FS Florestal emitiu mais de R$ 1,5 bilhão em CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio) e buscou recursos junto ao sistema bancário, consolidando sua estratégia de captação de recursos para sustentar o crescimento sustentável da companhia.
Fonte: the agribiz.








