Pesquisa & Inovação

Instituto Biológico completa quase 100 anos desenvolvendo soluções para o agronegócio

Fundado em 1927 na São Paulo, o Instituto Biológico é referência em pesquisa agropecuária, com foco em controle de pragas como formigas cortadeiras, impactando a produção de alimentos e a sustentabilidade no setor. A instituição desenvolve tecnologias e diagnósticos que fortalecem a segurança alimentar e a proteção ambiental, beneficiando agricultores e a economia local.

Foto: Reprodução/Planeta Campo
Foto: Reprodução/Planeta Campo.

Fundado em 1927 em resposta a uma das maiores crises da cafeicultura paulista, o Instituto Biológico consolidou-se como referência em pesquisa, diagnóstico e inovação voltados à sanidade vegetal, animal e à proteção ambiental.

Ao longo de quase um século, a instituição expandiu suas áreas de atuação, desenvolvendo tecnologias que contribuem para uma produção agropecuária mais eficiente e sustentável.

Criado em 1927, o Instituto Biológico surgiu após uma grave crise na cafeicultura paulista na década de 1920, causada por uma praga ainda desconhecida que prejudicava os cafezais, levando os produtores a buscar soluções junto ao governo.

“Uma praga ou doença (ainda sem identificação) atingiu os cafezais. Os produtores solicitaram ajuda ao governador, que formou uma comissão de pesquisadores da época”, relata Ana Eugênia de Carvalho Campos, coordenadora do Instituto Biológico.

A equipe identificou que o problema era causado por um pequeno besouro. Ana Eugênia explica que a fêmea depositava ovos no fruto do café, cuja larva se alimentava, depreciando a qualidade do produto.

Pesquisadores descobriram que o inseto era originário da África e desenvolveram uma estratégia pioneira de controle biológico, baseada na introdução de um inimigo natural da praga. Essa iniciativa é considerada um dos primeiros programas de controle biológico conduzidos pelo setor público no Brasil.

A partir dessa experiência, foi necessária a criação de uma instituição permanente para apoiar os produtores diante de novos desafios sanitários. Assim, nasceu o Instituto Biológico, que, em seu primeiro ano, expandiu suas pesquisas para a sanidade animal e posteriormente incorporou ações voltadas à proteção ambiental.

Patrimônio científico e histórico

Além da produção científica, o Instituto preserva importantes patrimônios históricos e ambientais, incluindo um dos maiores cafezais urbanos do mundo, um acervo entomológico com milhares de insetos (considerado um dos mais antigos e relevantes do estado de São Paulo) e um edifício histórico construído no final da década de 1920.

Pesquisa com formigas busca alternativas sustentáveis

Entre as linhas de pesquisa atuais, destaca-se o estudo das formigas, coordenado por Ana Eugênia. Especialista em insetos sociais, ela dedica sua carreira ao entendimento do comportamento desses organismos e ao desenvolvimento de métodos sustentáveis para o controle de formigas cortadeiras, uma das principais pragas agrícolas.

“As formigas cortadeiras representam um problema para o agricultor, podendo afetar diversas culturas. É fundamental o manejo adequado, e estamos trabalhando com microrganismos endofíticos (fungos) no controle dessas formigas”, explica Ana Eugênia.

Formigas
Foto: Reprodução/Planeta Campo.

Estima-se que existam cerca de 20 mil espécies de formigas no planeta, aproximadamente 2 mil delas registradas no Brasil. A maioria desempenha funções essenciais ao equilíbrio ambiental, como ciclagem de nutrientes, incorporação de matéria orgânica ao solo e controle natural de outras populações de insetos.

Por outro lado, algumas espécies, como as formigas cortadeiras, podem causar prejuízos em diversas culturas agrícolas. Por isso, o Instituto investiga o uso de microrganismos endofíticos, especialmente fungos, como alternativa ao controle químico dessas pragas.

Ciência voltada ao produtor

O Instituto Biológico possui laboratórios certificados pela norma internacional ISO 17025, garantindo a qualidade dos diagnósticos laboratoriais, essenciais para processos de exportação de produtos agropecuários.

Além do diagnóstico de doenças em plantas e animais, as pesquisas incluem o desenvolvimento de bioinsumos, biotecnologias e processos que minimizam o impacto ambiental na produção rural.

A instituição também monitora resíduos de defensivos agrícolas em alimentos, água, solo e polinizadores, como as abelhas, contribuindo para a segurança alimentar e a preservação dos recursos naturais.

Com quase 100 anos de história, o Instituto Biológico mantém seu compromisso de transformar conhecimento científico em soluções que fortalecem a produção agropecuária, protegem o meio ambiente e garantem alimentos mais seguros para a população.

Fonte: Planeta Campo.