Inovação

Banco genético de algas garante segurança ao setor agrícola

Um biobanco de algas marinhas em São Paulo, com 12 linhagens preservadas desde 2017, fortalece a aquicultura e o agronegócio, garantindo biodiversidade e segurança diante de mudanças climáticas. O acervo, resultado de quase 30 anos de pesquisa, é fundamental para inovação, recuperação de cultivos e monitoramento de espécies exóticas no setor.

Foto: Reprodução/Planeta Campo
Foto: Reprodução/Planeta Campo.

Um conjunto de algas mantido em condições controladas pode ser fundamental para o avanço da aquicultura e para o desenvolvimento de soluções no agronegócio.

No Instituto de Pesca, em São Paulo, um biobanco reúne materiais genéticos de linhagens de algas marinhas desenvolvidas ao longo de quase 30 anos de pesquisa, funcionando como uma reserva estratégica para a conservação da biodiversidade, a segurança da produção e o avanço científico.

O acervo teve início em 1995, com as primeiras linhagens cultivadas no Brasil. Em 2017, o instituto oficializou o biobanco, que atualmente mantém 12 linhagens, entre esporófitos e gametófitos, em ambiente de temperatura e salinidade controladas.

De acordo com a pesquisadora Valéria Cress Gelli, o objetivo é preservar a diversidade genética das algas e garantir a disponibilidade do material para futuras pesquisas e recuperação de cultivos em caso de perdas ambientais.

As primeiras algas cultivadas no Brasil tiveram origem nas Filipinas, chegando ao país via Japão. A partir desse material, novas linhagens foram desenvolvidas ao longo dos anos, formando um patrimônio genético considerado único no Brasil.

Segundo a pesquisadora, o biobanco desempenha papel importante na conservação da diversidade genética, especialmente devido à complexidade de importar novamente a alga das Filipinas.

Conservação como estratégia frente às mudanças climáticas

Além de atuar como repositório científico, o biobanco funciona como uma ferramenta de segurança diante de alterações climáticas.

Durante um episódio de chuvas intensas em Ubatuba (SP), por exemplo, a redução da salinidade comprometeu parte dos cultivos marinhos. Como as linhagens estavam preservadas em laboratório, foi possível replantar rapidamente as algas na produção.

“Isso garante a manutenção do patrimônio genético, permitindo a renovação e a reposição de linhagens em caso de problemas climáticos”, explica.

Material disponível para pesquisa

As linhagens apresentam características distintas, como coloração, concentração de pigmentos, teor de carragenana, velocidade de crescimento e produtividade. Essas diferenças tornam o acervo relevante para pesquisas em biotecnologia, produção de insumos agrícolas e desenvolvimento de novos produtos industriais.

Monitoramento para evitar bioinvasão

Uma das espécies estudadas é a Kappaphycus alvarezii, amplamente cultivada internacionalmente para a produção de carragenana, substância utilizada nas indústrias alimentícia, farmacêutica e cosmética.

Apesar de ser uma espécie exótica, monitoramentos indicam que ela permanece restrita às áreas de cultivo no litoral paulista.

Desde 1995, equipes do Instituto de Pesca, USP e outras instituições monitoram a presença da espécie em costões rochosos, verificando estruturas reprodutivas na natureza. Até o momento, não há sinais de estabelecimento fora das áreas de cultivo.

Experiência internacional amplia o conhecimento

Durante missão nas Filipinas, pesquisadores brasileiros estudaram populações naturais de Kappaphycus alvarezii, observando variações de coloração e estruturas reprodutivas não presentes nas condições de cultivo brasileiras.

Filipinas
Foto: Reprodução/Planeta Campo.

A experiência contribuiu para ampliar o entendimento sobre a espécie e fortalecer as pesquisas voltadas ao cultivo seguro e ao uso de algas em aplicações de alto valor agregado.

Fonte: Planeta Campo.