
Com o avanço da inteligência artificial, a Bayer tem conseguido diminuir significativamente o tempo necessário para criar novas variedades de sementes, um processo que costumava levar quase uma década. Atualmente, a tecnologia permite que esse período seja reduzido para entre dois e cinco anos em alguns programas de melhoramento genético.
De acordo com Tom Eickhoff, vice-presidente e líder de pesquisa da Bayer Crop Science, a IA tem sido fundamental para acelerar o desenvolvimento de novos produtos agrícolas, impactando toda a cadeia de inovação e pesquisa da companhia.
“Utilizamos a inteligência artificial para modelar cruzamentos, prever o desempenho em diferentes condições ambientais e tomar decisões de forma muito mais ágil”, afirmou o executivo em entrevista ao The AgriBiz.
Com o uso de IA, pesquisadores podem simular etapas do processo de pesquisa que antes dependiam de testes de campo, o que reduz o ciclo de avaliação de pelo menos um ano entre o plantio e a colheita. A seleção de materiais é agora mais rápida, com algoritmos identificando os cruzamentos mais promissores e prevendo seu comportamento em diferentes condições climáticas e de solo.

Segundo Eickhoff, esses algoritmos conseguem antecipar respostas que antes dependiam de anos de experimentos. Como resultado, o desenvolvimento de uma nova variedade, que antes levava de oito a dez anos, passou a ser realizado em um período de dois a cinco anos, com maior precisão na tomada de decisão.
“O impacto da IA vai além do melhoramento genético, influenciando quase todas as etapas do desenvolvimento de novos produtos, desde a descoberta inicial até a interação com órgãos reguladores e a aplicação no campo”, explicou o executivo.
Para Eickhoff, o maior ativo da Bayer não é apenas a tecnologia de IA, mas a vasta base de dados acumulada ao longo de décadas, que inclui informações genéticas, testes de defensivos agrícolas e resultados de experimentos realizados em diferentes regiões do mundo.
“A inteligência artificial nos ajuda a entender essa complexidade de dados e a avançar na compreensão de genomas e possíveis alvos de pragas, por exemplo”, afirmou.
Além do melhoramento genético, a edição gênica também é uma ferramenta utilizada pela Bayer para desenvolver produtos mais alinhados às necessidades dos agricultores, permitindo uma entrada mais rápida no mercado com o auxílio da IA.
O executivo destacou parcerias estratégicas, como a colaboração com a Pearwise, reconhecida por lançar o primeiro alimento geneticamente editado nos Estados Unidos, para avançar nessa área.
Plataforma CropKey e inovação na proteção de cultivos
Na área de proteção de cultivos, a Bayer emprega a IA por meio da plataforma CropKey, que acelera o desenvolvimento de novas moléculas para controle de pragas, ervas daninhas e doenças, além de auxiliar na avaliação de segurança dos produtos.
“Desde as fases iniciais, conseguimos identificar produtos altamente eficazes e seguros, com alta probabilidade de impacto positivo na agricultura”, explicou Eickhoff.
Apesar de toda a automatização, Eickhoff ressalta que o relacionamento com o produtor permanece uma etapa essencial, pois é fundamental compreender suas principais demandas e orientá-lo na aplicação das inovações tecnológicas.
“Estar próximo do agricultor é vital, pois estamos trazendo tecnologia de forma mais rápida do que nunca na história”, afirmou.
Fonte: theagribiz.com









