
A pecuária nacional aguarda com expectativa o resultado da missão técnica enviada pelo governo do Japão, que desde o final de semana realiza inspeções detalhadas em fazendas, frigoríficos e laboratórios no Brasil. Essa auditoria, prevista até 13/04, é vista como uma etapa decisiva para que o país conquiste a autorização de exportar carne bovina ao mercado mais restritivo e lucrativo do mundo.
O foco inicial da avaliação está nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, regiões reconhecidas internacionalmente como livres de febre aftosa sem vacinação. Apesar de o Ministério da Agricultura solicitar a inclusão de Rondônia e Acre na inspeção, a equipe japonesa optou por concentrar os esforços na região Sul nesta fase.
Avaliação técnica do sistema sanitário brasileiro
Especialistas do Ministério da Agricultura, Florestas e Pesca do Japão e da Organização Nacional de Pesquisa em Agricultura e Alimentos estão realizando uma inspeção in loco que inclui verificação de fazendas, unidades frigoríficas, laboratórios federais e postos de fronteira. Segundo informações do jornal Valor Econômico, a equipe avalia a coerência do dossiê sanitário enviado pelo Brasil, além de verificar a estrutura física e a capacidade de resposta a emergências.
Mais do que inspeções físicas, os técnicos analisam a efetividade das ações de defesa agropecuária e a operacionalidade dos planos de contingência. Caso a avaliação seja positiva, o procedimento para iniciar as exportações será predominantemente burocrático, embora o setor produtor mantenha cautela devido ao histórico de processos lentos na abertura de mercados internacionais.
Mercado de US$ 4 bilhões na mira do Brasil
O acesso ao mercado japonês representa uma oportunidade estratégica, principalmente pelos fatores de preço e diversificação. Atualmente, o Japão importa aproximadamente 700 mil toneladas de carne bovina por ano, movimentando cerca de US$ 4 bilhões, com predominância de fornecedores como Austrália e Estados Unidos. A entrada brasileira poderia elevar o valor por tonelada, que hoje varia entre US$ 4,5 mil e US$ 6,8 mil.
Para o setor exportador nacional, o mercado japonês é considerado de alto padrão. A possibilidade de vender carne brasileira com preços competitivos em Tóquio reforça a posição do Brasil como fornecedor de carne de alta qualidade, além de diminuir a dependência da China, que recentemente restringiu suas cotas de compra.
Diplomacia e controle sanitário impulsionam a abertura comercial
O avanço nas negociações resulta de uma estratégia diplomática consolidada desde março do ano passado, após encontro do presidente Lula com o primeiro-ministro japonês. A confirmação do envio da missão técnica ocorreu em junho de 2025, após a Organização Mundial de Saúde Animal reconhecer o Brasil como país livre de aftosa sem vacinação.
O embaixador japonês em Brasília, Yasushi Noguchi, destacou que o país busca fortalecer suas parcerias comerciais com países resilientes, especialmente para garantir a segurança alimentar. O próximo passo, após a aprovação técnica, será negociar tarifas de importação, que atualmente chegam a 38,5% para o Brasil, valor superior ao praticado por concorrentes como Estados Unidos e Uruguai.
Fonte: Compre Rural.










