Sustentabilidade

Pesquisa aponta que boas práticas reduzem em até 70% a pegada de carbono da carne

Estudos coordenados pela Embrapa mostram que a adoção de tecnologias na pecuária brasileira pode reduzir em até 70% a pegada de carbono da carne bovina, especialmente por meio de práticas como integração lavoura-pecuária e melhoria de pastagens. Iniciativas de certificação, como Carne Baixo Carbono, visam valorizar produtores que adotam sistemas de baixa emissão, impactando positivamente o setor agropecuário nacional.

Estudos da Embrapa indicam que práticas como integração lavoura-pecuária e melhorias em pastagens podem reduzir em até 70% a pegada de carbono da carne bovina - Foto: Planeta Campo / Reprodução.
Estudos da Embrapa indicam que práticas como integração lavoura-pecuária e melhorias em pastagens podem reduzir em até 70% a pegada de carbono da carne bovina – Foto: Planeta Campo / Reprodução.

A implementação de tecnologias já disponíveis na pecuária brasileira pode reduzir em até 70% a pegada de carbono da carne bovina, conforme estudos coordenados pela Embrapa. Essas melhorias envolvem a otimização na alimentação animal, a intensificação dos sistemas de produção e a integração entre lavoura, pecuária e floresta.

O principal desafio na redução de emissões é o metano, gás produzido naturalmente durante a digestão dos bovinos, responsável por uma parcela significativa das emissões do setor. Aproximadamente 95% do metano é liberado durante a eructação, enquanto pequenas quantidades são eliminadas por outras vias.

Para quantificar essas emissões, pesquisadores utilizam dispositivos instalados nos animais que captam o metano durante a eructação. As amostras coletadas são analisadas em laboratório para avaliar diferentes sistemas de produção, dietas, raças e estratégias de manejo.

Segundo o pesquisador da Embrapa Gado de Corte, Rodrigo Costa Gomes, a pecuária possui potencial para transitar de um setor emissor para um sistema que contribua para a remoção de gases de efeito estufa, por meio de práticas como a melhoria das pastagens, o uso do carbono no solo e a integração com outras culturas.

As pesquisas da Rede Pecus, coordenada pela Embrapa e realizadas em parceria com diversas instituições, fornecem a base científica para o desenvolvimento de protocolos de certificação de carne de baixa emissão de carbono.

Iniciativa

A primeira certificação, Carne Carbono Neutro, lançada em 2015, é destinada a sistemas silvipastoris, nos quais árvores e pastagens coexistem na mesma área.

A Embrapa está desenvolvendo uma nova certificação, Carne Baixo Carbono, voltada a sistemas de recria e engorda intensificados, incluindo integração lavoura-pecuária, terminação a pasto e uso de confinamento na fase final.

De acordo com Gomes, o objetivo é incentivar a adoção dessas práticas por meio da valorização dos produtores no mercado e na indústria frigorífica.

Alimentação

A dieta dos animais também influencia na emissão de gases. A substituição de pastagens por rações contendo milho e farelos durante o confinamento reduz a produção de metano.

Novos aditivos alimentares, atualmente em desenvolvimento, têm o potencial de modificar o processo digestivo dos bovinos, contribuindo para a diminuição das emissões de metano.

Estudos indicam que sistemas mais eficientes aceleram o ganho de peso dos animais e reduzem o tempo até o abate, aumentando a produtividade e diminuindo o período de emissão de gases.

Um estudo comparou a pegada de carbono de bovinos criados em pastagem com aqueles terminados em confinamento, indicando uma redução de até 70%. Outra estratégia é antecipar a idade de abate de três para dois anos, reduzindo em aproximadamente 12 meses o período de emissão de gases pelo animal.

Fonte: Planeta Campo.