Tecnologia

Equipamento de pecuária monitora consumo e identifica os melhores animais

Sistema de monitoramento individual de bovinos no Brasil identifica animais mais eficientes, reduzindo custos e pegada de carbono, especialmente na fase de cria, com impacto positivo na sustentabilidade do setor agropecuário. A tecnologia, usada em confinamentos, avalia desempenho genético e adaptações climáticas, promovendo maior produtividade e resiliência.

Sistema de monitoramento de bovinos identifica animais mais eficientes, auxiliando na redução de custos e na sustentabilidade do setor agropecuário - Foto: Planeta Campo / Reprodução.
Sistema de monitoramento de bovinos identifica animais mais eficientes, auxiliando na redução de custos e na sustentabilidade do setor agropecuário – Foto: Planeta Campo / Reprodução.

A busca por uma pecuária mais eficiente cada vez mais depende do uso de tecnologias capazes de mensurar o desempenho individual dos animais. Uma dessas ferramentas permite identificar bovinos que ganham peso consumindo menos alimento, contribuindo para a redução de custos, aprimoramento genético e diminuição da pegada de carbono.

O sistema utiliza um cocho equipado com balança e antena eletrônica. Cada animal possui um chip de identificação na orelha, e ao se alimentar, o equipamento registra sua identidade e mede, em tempo real, a quantidade de alimento consumida.

“O cocho é montado sobre uma balança, permitindo identificar exatamente qual animal está se alimentando e a quantidade consumida em cada visita”, explica Rodrigo Costa Gomes, pesquisador da Embrapa de Corte.

Durante aproximadamente 50 dias, o sistema monitora todas as visitas dos animais ao cocho, que podem ocorrer até 30 vezes por dia. Com esses dados, os pesquisadores calculam o consumo médio individual e avaliam o desempenho dos bovinos.

Principal métrica

A métrica principal obtida é o Consumo Alimentar Residual (CAR), indicador que avalia a eficiência alimentar dos animais. Ele aponta quais bovinos apresentam bom desempenho produtivo consumindo menos alimento do que o esperado.

Além do consumo, os pesquisadores analisam características essenciais para a pecuária, como fertilidade e qualidade de carcaça.

Os touros avaliados são destinados a centrais de inseminação ou propriedades rurais. Assim, além de eficiência na utilização da dieta, devem apresentar capacidade reprodutiva e potencial genético para transmitir características desejáveis, como maior rendimento de carne e desenvolvimento muscular.

O que torna um animal mais eficiente?

De acordo com Gomes, a eficiência alimentar resulta da combinação de diversos fatores genéticos e fisiológicos, não havendo um único responsável.

Animais com temperamento mais calmo tendem a gastar menos energia com estresse e movimentação. Outros possuem maior capacidade de digestão e aproveitamento dos nutrientes.

Bovinos mais eficientes geralmente depositam menos gordura corporal, pois a formação de gordura demanda maior consumo de energia. Animais que direcionam melhor os nutrientes para o crescimento muscular apresentam melhor desempenho.

Importância cresce nos sistemas intensivos

A eficiência alimentar torna-se ainda mais relevante na pecuária intensificada, como no confinamento e terminação a pasto, que utilizam dietas balanceadas e alimentos concentrados, elevando os custos de produção.

Nessas condições, selecionar animais que convertem melhor o alimento em ganho de peso reduz desperdícios e aumenta a rentabilidade.

Adaptação ao calor

Pesquisas indicam que animais mais eficientes podem apresentar maior adaptação às condições climáticas extremas.

Estudos em andamento investigam se bovinos com melhor eficiência alimentar suportam melhor o calor e o estresse térmico, o que é estratégico diante das mudanças climáticas e da expansão da pecuária para regiões mais quentes e úmidas.

Se essa relação for confirmada, o melhoramento genético poderá contribuir para aumentar a produtividade e a resiliência dos rebanhos frente aos desafios ambientais.

Fase de cria concentra maior impacto ambiental

Dados apontam que o maior desafio para a redução das emissões na pecuária está na fase de cria.

Entre 70% e 80% da pegada de carbono da carne bovina brasileira está relacionada às vacas matrizes na fase de produção dos bezerros, pois animais adultos consomem mais alimento e emitem maior quantidade de metano.

Estratégias como aumento da fertilidade, melhoria da sanidade, redução da mortalidade e avanços no melhoramento genético podem impactar positivamente na produtividade e na redução das emissões de gases de efeito estufa.

Para os pesquisadores, identificar e selecionar bovinos mais eficientes é uma estratégia importante para produzir mais carne com menor uso de recursos, aumentando a competitividade e promovendo sistemas de produção mais sustentáveis.

Fonte: Planeta Campo.