
Viajar sempre ocupou um espaço importante na vida de Laine Eugênio. Relações públicas e diretora de marketing do grupo 180 Graus, ela começou cedo a descobrir outros países e culturas e, ao longo dos anos, transformou essas experiências em uma forma de ampliar sua visão de mundo, conquistar independência e entender melhor a própria maneira de viver.
A primeira experiência marcante aconteceu aos 15 anos, quando embarcou sozinha para North Vancouver, no Canadá, onde cursou parte do High School. Mais do que conhecer um novo país, o intercâmbio representou seu primeiro contato real com a vida fora de casa e com uma rotina construída em outro idioma e em outra cultura.
Foi também quando percebeu que conseguiria se adaptar a situações muito diferentes das que conhecia. A experiência deixou amizades que permanecem até hoje e abriu caminho para outras viagens.
Cinco anos depois, aos 20, Laine decidiu ir ainda mais longe. O destino foi Xangai, na China, onde estudou mandarim. A escolha colocou diante dela desafios bem maiores: além da barreira linguística, havia diferenças na alimentação, no fuso horário, nos costumes e na própria dinâmica da cidade.
A China daquele período, lembra, também era bastante diferente da que o viajante encontra atualmente. Cerca de dez anos depois, Laine retornou ao país e se surpreendeu com a transformação. Para ela, foi quase como conhecer duas versões de um mesmo destino.
As experiências no Canadá e na China acabaram ensinando uma lição que passou a acompanhá-la em outras viagens: o desconhecido não precisa ser encarado necessariamente como uma ameaça. Estar em um lugar onde quase tudo é diferente obriga o viajante a aprender, se comunicar e encontrar soluções.
Essa disposição para descobrir novos lugares combina com uma personalidade que ela própria define pelas dualidades. Laine se considera inquieta, mas extremamente planejadora. Gosta de organizar os detalhes, montar roteiros e saber o que pretende fazer, mas também não abre mão de mudar os planos quando surge uma alternativa mais interessante.
O contraste se repete em outras áreas. Ela gosta de conforto, mas procura novidade; é dedicada ao trabalho, mas considera essencial aproveitar aquilo que existe fora da rotina profissional. Para Laine, viajar representa justamente esse equilíbrio entre organização e espontaneidade.
Paixão pela Ásia

Entre as regiões que mais a surpreenderam ao longo dos anos, a Ásia ocupa um lugar de destaque. Xangai foi um dos primeiros contatos mais intensos com o continente e permanece entre suas cidades favoritas.
Laine define a metrópole chinesa como extremamente cosmopolita e compara sua energia à de Nova York, outra cidade pela qual tem forte admiração. Apesar das dificuldades iniciais com a alimentação e com a adaptação, a experiência também revelou uma grande diversidade de restaurantes e uma riqueza cultural que marcou sua passagem pelo país.
Outro destino asiático que ganhou espaço entre seus favoritos foi a Tailândia. Para ela, um dos grandes atrativos do país é a versatilidade.
Em uma mesma viagem, é possível encontrar hotéis de alto nível, gastronomia, vida noturna, compras, natureza e destinos voltados ao descanso. Dependendo do roteiro, a experiência pode mudar completamente.
A relação de Laine com a Ásia deve ganhar um novo capítulo em breve. Sua próxima viagem internacional será ao Japão, país que já estava entre os destinos que pretendia conhecer.
Planejar também faz parte da viagem

Se existe uma etapa que Laine não considera um simples trabalho preparatório, é a organização. Para ela, a viagem começa no momento em que a passagem é comprada.
Pesquisar hotéis, entender a dinâmica da cidade, escolher restaurantes, definir passeios, analisar deslocamentos e descobrir qual é a melhor época para visitar determinado lugar fazem parte da experiência.
Um dos recursos que utiliza com frequência é o aplicativo Wanderlog. Na plataforma, reúne reservas de hotéis e restaurantes, vouchers, passeios, horários, deslocamentos e outras informações importantes do roteiro.
A ferramenta ajuda a manter tudo centralizado e facilita principalmente viagens com várias cidades ou atividades.
Mesmo assim, sua principal dica não envolve tecnologia, passagem ou hospedagem. Para Laine, a escolha da companhia pode ter impacto decisivo sobre a experiência.
Em viagens longas, pessoas com ritmos muito diferentes podem transformar pequenas decisões em conflitos. Por isso, ela considera importante viajar com alguém que tenha interesses semelhantes, goste de programas compatíveis e esteja disposto a seguir uma dinâmica parecida.
Viajar sozinho e descobrir a Europa

Embora tenha vivido experiências sozinha nos intercâmbios, Laine não costuma fazer viagens exclusivamente turísticas sem companhia.
Ainda assim, considera a Europa uma das melhores regiões para quem deseja viver essa experiência. A facilidade de deslocamento ferroviário permite circular entre cidades e até países com relativa simplicidade, mudando planos conforme o interesse.
Para ela, essa liberdade combina com quem quer viajar sozinho: o roteiro pode ser adaptado constantemente, sem a necessidade de conciliar preferências ou horários com outras pessoas.
Uma mudança na maneira de viajar

Com o tempo, Laine também passou a rever determinadas experiências que já fizeram parte de seus roteiros.
Entre elas está o turismo envolvendo animais. Em viagens anteriores, nadou com golfinhos, andou de camelo, teve contato com elefantes, cobras e felinos e assistiu a apresentações com baleias.
Hoje, afirma que não repetiria essas atividades. A mudança veio conforme passou a refletir mais sobre aquilo que existe por trás de determinadas atrações turísticas.
Sua preferência atual é por experiências capazes de aproximar o visitante da cultura local, da gastronomia, das pessoas e da rotina de cada lugar, evitando atrações criadas apenas para atender ao turismo de massa.
Essa transformação também ajuda a explicar por que Laine não costuma dizer que existe um destino superestimado. Para ela, uma cidade ou um país pode proporcionar experiências muito diferentes dependendo do viajante, do momento da vida e da maneira como o roteiro é construído.
Lugares para voltar — e outros que podem esperar

Também não há, entre os destinos que já visitou, algum para o qual Laine diga que jamais retornaria.
O que ela procura evitar é repetir exatamente a mesma viagem.
Quando volta a uma cidade, prefere conhecer outros bairros, experimentar novos restaurantes, visitar cidades próximas e descobrir lugares que ficaram de fora do primeiro roteiro.
Por outro lado, alguns países não ocupam posições prioritárias em sua lista. Afeganistão e Coreia do Norte, por exemplo, não despertam interesse atualmente.
Egito e Índia são vistos de maneira diferente. Laine reconhece a riqueza cultural de ambos, mas relatos relacionados à segurança de mulheres fazem com que considere necessária uma preparação maior antes de uma eventual viagem. Por enquanto, outros destinos estão à frente.

Depois de tantos lugares conhecidos, três continuam ocupando as primeiras posições de seu ranking pessoal: Nova York, Florença e Xangai.
Por Boletim Brio.











