Combustíveis & Energia

Com investimento de 1,18 bilhão, indústria de etanol começará a operar no Piauí

A unidade terá, na primeira etapa, capacidade para processar 1.500 toneladas de milho e sorgo por dia.

Empresa Brasbio em construção – Foto: Reprodução / Instagram.

A zona rural de Uruçuí, no Sul do Piauí, passa a integrar o mapa dos grandes investimentos em bioenergia do país com a implantação da Brasbio – Brasil Bioenergia. Com aporte global de R$ 1,18 bilhão, o empreendimento está entre as maiores indústrias de etanol de cereais do Brasil.

A unidade terá, na primeira etapa, capacidade para processar 1.500 toneladas de milho e sorgo por dia. O projeto prevê ampliações futuras que podem triplicar esse volume ao longo da execução completa da planta industrial, passando a 4.500 toneladas.

A empresa é especializada na produção de etanol renovável a partir de milho e sorgo, além de coprodutos destinados à nutrição animal e à geração de energia. A proposta integra tecnologia industrial e agropecuária, conectando produção agrícola, biocombustível e cadeia pecuária.

O que será produzido

A usina irá fabricar:

  • Etanol renovável, biocombustível que reduz a dependência de combustíveis fósseis
  • DDGS
  • WDGS
  • Óleo bruto

O etanol produzido a partir de cereais amplia a participação da energia renovável na matriz brasileira e agrega valor à produção agrícola local.

O que são DDGS e WDGS

DDGS é a sigla para Dried Distillers Grains with Solubles, que em português significa grãos secos de destilaria com solúveis. Trata-se de um coproduto resultante da produção de etanol de milho. Após a fermentação e destilação do grão, sobra uma fração rica em proteínas, fibras e energia, que passa por secagem. Esse material é amplamente utilizado como ingrediente na alimentação de bovinos, suínos e aves.

WDGS, ou Wet Distillers Grains with Solubles, é semelhante ao DDGS, porém comercializado ainda úmido. Também possui alto valor nutricional e é utilizado principalmente em confinamentos e sistemas de engorda próximos às unidades produtoras, devido ao teor de umidade.

Esses insumos são considerados estratégicos para a pecuária por contribuírem para o ganho de peso do rebanho e para a redução de custos na alimentação animal.

Geração de empregos e impacto regional

Durante a fase de implantação, o projeto já gera mais de 1.300 empregos. A expectativa é que a operação consolide milhares de postos de trabalho diretos e indiretos, fortalecendo a economia do Sul do estado.

A instalação da Brasbio também impulsiona a cadeia produtiva agrícola, ampliando a demanda por milho e sorgo produzidos na região. O modelo cria uma integração entre lavoura, indústria e pecuária dentro do próprio estado.

Cadeia integrada no território

O projeto é mais um empreendimento do Grupo Progresso. A articulação contou com a atuação da Investe Piauí desde a fase inicial, conectando empresa, Governo do Estado e território para viabilizar o investimento.

A oferta de DDGS e WDGS já influencia outros empreendimentos planejados para a região. Em Ribeiro Gonçalves, o frigorífico Frigorífico Piauhy, com investimento previsto de R$ 150 milhões e geração estimada de 500 empregos na implantação, foi estruturado considerando a disponibilidade local desses insumos para nutrição animal.

O modelo consolida um ciclo produtivo integrado: o milho abastece a usina, que produz etanol e coprodutos; os coprodutos fortalecem a pecuária; e a pecuária amplia a cadeia agroindustrial do estado.

Com a entrada da Brasbio, Uruçuí passa a sediar um dos principais polos de etanol de cereais do país, inserindo o Piauí em um novo eixo de produção de biocombustíveis e insumos agroindustriais.