
De acordo com um relatório divulgado pelo time de pesquisa de crédito do JP Morgan nesta terça-feira, a participação de 40% na FS será adquirida por US$ 815 milhões, valor que inclui US$ 100 milhões referentes à tranche primária. Os demais US$ 715 milhões serão pagos proporcionalmente aos atuais acionistas em três parcelas até 2028, conforme detalhado pelo banco.
Para a Amaggi, o valor representa um investimento considerável, especialmente ao se analisar o Ebitda projetado de US$ 542 milhões para 2025, sua dívida total de US$ 3 bilhões e um caixa de US$ 870 milhões ao final de 2022. Os analistas do JP Morgan alertam que o custo da aquisição é alto em relação ao patrimônio da companhia, podendo afetar sua capacidade de cumprir os pagamentos futuros, dependendo de condições operacionais favoráveis.
Avaliação do valor e do múltiplo de avaliação
Apesar do alto valor, o múltiplo EV/Ebitda da operação, variando entre 5,5 e 6,2 vezes, foi considerado justo pelos analistas do JP Morgan, especialmente ao se comparar com o múltiplo de 4,5 vezes praticado por empresas de açúcar e etanol no mercado. A diferença sugere um prêmio de 1 a 1,7 vez, justificável pelo potencial de margens mais elevadas no segmento de etanol de milho.
O custo de implantação de novas usinas de etanol de milho, estimado pelo Banco ABC em cerca de R$ 3 a R$ 4 por litro, indica que recriar a capacidade da FS, que deve atingir 3,2 bilhões de litros até dezembro, demandaria investimentos entre US$ 1,8 bilhão e US$ 2,5 bilhões. Assim, a participação de 40% na operação estaria avaliada entre US$ 720 milhões e US$ 1 bilhão, valor compatível com o desembolso realizado pela Amaggi.
Riscos de liquidez e pagamento de dívidas futuras
A principal preocupação dos analistas do JP Morgan refere-se aos desembolsos que a Amaggi terá de fazer a partir de 2027, quando os pagamentos relacionados à aquisição da FS se sobrepõem ao vencimento de US$ 750 milhões em bonds. Para este ano, a companhia planeja pagar US$ 300 milhões, recurso que será parcialmente financiado com créditos fiscais e uma linha de crédito de US$ 700 milhões obtida junto ao Bradesco.
Além disso, a Amaggi planeja vender US$ 200 milhões em ativos imobiliários nos próximos 12 meses, estratégia que visa fortalecer sua liquidez. Contudo, o período de maior pressão financeira ocorrerá entre 2027 e 2028, quando os desembolsos da compra da FS coincidem com o vencimento de US$ 750 milhões em bonds, elevando a alavancagem da companhia.
Segundo os analistas, a sobreposição dessas obrigações pode gerar uma situação de alta vulnerabilidade, especialmente se o fluxo de caixa não for suficiente para cobrir os pagamentos. Numa hipótese de financiamento integral por dívida, a alavancagem líquida da companhia poderia quase dobrar, atualmente em torno de 2,8 vezes, perto do limite de 3 vezes estabelecido pela política financeira da empresa.
Impactos e limitações do controle acionário
Outro aspecto relevante destacado pelos analistas é que a Amaggi não consegue consolidar o fluxo de caixa da FS, uma vez que não detém controle total sobre a produtora de etanol de milho. Assim, os benefícios financeiros dependerão do pagamento de dividendos, enquanto o ônus do financiamento recairá integralmente sobre a geração de caixa própria da companhia.
Apesar de manter uma operação sólida e de ter adotado uma política financeira mais conservadora anteriormente, a transação mais agressiva na aquisição da FS aumenta a complexidade financeira da Amaggi, especialmente diante do cenário de fragilidade de seu perfil de crédito. Em abril, a Fitch já havia rebaixado seus ratings, citando riscos ligados ao adiamento do processo de desalavancagem e às incertezas sobre o impacto dos conflitos no Oriente Médio nos preços de fertilizantes.
Na sequência, a Moody’s também colocou a classificação de crédito da companhia sob revisão, expressando preocupação com a capacidade da empresa de equilibrar o financiamento da operação e a refinância dos bonds de US$ 750 milhões com vencimento em janeiro de 2028.
Para mitigar a pressão financeira, os analistas do JP Morgan sugerem alternativas como redução de dividendos, adiamento de investimentos ou venda de ativos, embora ressaltem que a execução dessas estratégias não seja garantida. Desde o início de 2026, a companhia já refinanciou US$ 700 milhões em dívidas bancárias, além de obter nova linha de crédito junto ao Bradesco, o que permitiu alongar o prazo de vencimentos de cerca de 2 para aproximadamente 4,6 anos.
Fonte: The Agribiz.








