
O calor intenso que assola a Europa tem potencial para afetar a oferta global de trigo, uma commodity fundamental para o abastecimento de diversos países, incluindo o Brasil. Enquanto o Hemisfério Sul enfrenta temperaturas mais amenas, a Europa registra temperaturas próximas a 46°C em regiões agrícolas, prejudicando as principais culturas de inverno e elevando a preocupação com a produção de alimentos básicos, como o pão.
Apesar do Brasil ser considerado uma potência agrícola, o país mantém uma dependência significativa de importações de trigo para suprir sua demanda interna, estimada em cerca de 12 milhões de toneladas, enquanto a produção nacional deve atingir aproximadamente 6,5 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A maior parte do trigo importado vem da Argentina, mas a Europa também é uma fonte importante, influenciando os preços globais do cereal.
O atual cenário de ondas de calor na Europa pode comprometer a safra local de cereais. As regiões produtoras mais afetadas, que enfrentam temperaturas extremas, podem registrar quebras na produção de trigo e cevada, o que tende a elevar os preços da farinha no mercado europeu e, por consequência, impactar o custo do pão e outros produtos no Brasil.
Dados do JRC MARS Bulletin da Comissão Europeia indicam que as temperaturas atingiram picos de até 46°C em áreas agrícolas, prejudicando especialmente as culturas de inverno. O período de enchimento de grãos, que ocorre nesta época, é particularmente vulnerável ao estresse térmico, podendo acelerar perdas de produtividade na Europa Ocidental, Central e Oriental.
Além dos cereais de inverno, as altas temperaturas ameaçam também culturas de verão e hortaliças, como a batata, devido ao rápido esgotamento das reservas de umidade do solo, o que compromete o potencial produtivo dessas culturas.
Especialistas do setor avaliam que a onda de calor alterou drasticamente as projeções otimistas do início do ano. Segundo a agência ProFarmer, uma redução de 10% na produtividade da safra da União Europeia pode provocar uma diminuição significativa nos estoques mundiais de trigo, levando-os aos menores níveis desde 2013 e alterando a relação entre oferta e consumo global.
Essa situação já se reflete na valorização dos contratos futuros de trigo nas bolsas de Chicago (CBOT) e Paris (MATIF). Enquanto as instituições oficiais europeias adotam uma postura mais cautelosa na avaliação dos riscos de quebra de safra, analistas privados consideram cenários mais agressivos de desabastecimento mundial.
Impactos no mercado brasileiro de trigo
O aumento dos preços internacionais do trigo se reflete no mercado brasileiro por meio do câmbio e do valor de referência nas negociações globais. Mesmo que a maior parte do trigo importado pelo Brasil seja adquirida de países do Mercosul, como a Argentina, a cotação internacional influencia diretamente os custos internos, elevando os preços ao consumidor final.
Esse encarecimento da matéria-prima provoca um efeito inflacionário nos produtos derivados, como pães, massas e biscoitos, elevando os custos de produção e, por consequência, os preços ao consumidor no varejo nacional.
Fonte: Band.









