Empregos

Escassez de profissionais na Europa: enfermeiros, médicos, eletricistas, soldadores e mais

A União Europeia enfrenta uma significativa escassez de profissionais em setores essenciais, com Itália liderando com 253 categorias em déficit e Países Baixos apresentando a maior taxa de vagas abertas (4%) em 2026; o combate à falta de mão de obra envolve estratégias como imigração, formação especializada e melhorias nas condições de trabalho, sendo necessário participar de programas como o EU Talent Pool e acompanhar as oportunidades nos serviços nacionais de emprego.

A escassez de profissionais na Europa afeta setores essenciais, como saúde e construção, com estratégias em andamento para mitigar o déficit de mão de obra - Foto: Click Petróleo e Gás / Reprodução.
A escassez de profissionais na Europa afeta setores essenciais, como saúde e construção, com estratégias em andamento para mitigar o déficit de mão de obra – Foto: Click Petróleo e Gás / Reprodução.

A falta de profissionais na Europa concentra-se principalmente em setores essenciais, como saúde, construção, transporte, indústria e cuidados pessoais. Mesmo países com altas taxas de desemprego enfrentam dificuldades para preencher determinadas vagas com profissionais qualificados ou dispostos a atuar.

O levantamento mais recente, publicado em junho de 2026 pela Autoridade Europeia do Trabalho, identificou 2.617 registros de escassez ocupacional nos países integrantes da rede europeia de empregos EURES.

O estudo também revelou 2.177 registros de excedente de profissionais. Isso indica que uma profissão pode apresentar falta de trabalhadores em um país e excesso de candidatos em outro, dificultando a correspondência entre vagas e candidatos.

De acordo com a Autoridade Europeia do Trabalho, as diferenças entre escassez e excedente são causadas por barreiras linguísticas, dificuldades no reconhecimento de qualificações, limitações à mobilidade, envelhecimento populacional e condições de trabalho pouco atrativas em algumas áreas.

O relatório foi publicado em 2026 e analisa os desequilíbrios identificados em 2025. As informações foram fornecidas pelos serviços nacionais de emprego e complementadas por dados europeus.

Itália lidera a lista de países com maior número de profissões deficitárias.

A Itália apresentou o maior número de categorias profissionais em escassez: 253 profissões. Em seguida, aparecem Países Baixos (195), Bulgária (193), Bélgica (184) e Romênia (170).

Esses cinco países representam 38% dos registros de escassez analisados no estudo. Os detalhes estão disponíveis no relatório completo da Autoridade Europeia do Trabalho.

O número de 253 profissões deficitárias na Itália não indica a quantidade de vagas disponíveis, mas sim o número de categorias profissionais classificadas como em escassez, independentemente do número de postos em cada uma.

O levantamento aponta que o problema não se restringe a cargos que exigem formação universitária. Profissionais técnicos, operadores de máquinas e trabalhadores de ofícios especializados também enfrentam dificuldades de contratação.

Países Baixos apresentam maior taxa de vagas abertas.

Nos Países Baixos, além das 195 profissões deficitárias, a taxa de vagas abertas atingiu 4% no primeiro trimestre de 2026, a maior entre os países da União Europeia com dados comparáveis.

A taxa de vagas representa a proporção de postos desocupados em relação ao total de empregos, oferecendo uma métrica diferente do número de profissões afetadas.

Segundo o Eurostat, Bélgica, Malta e Áustria seguem, com taxas de 3,4%, 3,3% e 3,1%, respectivamente.

A combinação de uma grande diversidade de profissões deficitárias e a alta taxa de vagas abertas torna os Países Baixos um dos países mais afetados pela escassez de mão de obra na União Europeia.

Bélgica apresenta escassez de profissionais, mas a pressão por vagas diminuiu.

A Bélgica registrou falta de profissionais em 184 ocupações e apresentou uma taxa de vagas de 3,4% no primeiro trimestre de 2026. Apesar do nível elevado, esse indicador reduziu-se em relação ao ano anterior.

Dados do Eurostat indicam que a taxa belga caiu 0,7 ponto percentual na comparação anual, a maior redução entre os países, exceto por uma mudança metodológica na República Tcheca.

Esse cenário demonstra que a escassez de profissionais pode persistir mesmo com a desaceleração do mercado de trabalho. Empresas podem reduzir a abertura de vagas, mas ainda enfrentam dificuldades para preencher determinadas posições.

Bulgária e Romênia apresentam uma realidade distinta.

A Bulgária registrou 193 profissões em escassez, enquanto a Romênia apresentou 170, conforme o relatório europeu de 2026.

Entretanto, a Romênia teve a menor taxa de vagas da União Europeia no primeiro trimestre, com apenas 0,6%. A Polônia apresentou uma taxa de 0,8%.

Essa diferença evidencia que a taxa de vagas e a escassez ocupacional não são sinônimos. Um país pode ter poucas oportunidades disponíveis na economia geral e, ao mesmo tempo, dificuldades em preencher várias profissões específicas.

A escassez de profissionais na Alemanha reduziu-se, mas ainda persiste.

Na Alemanha, a falta de trabalhadores qualificados diminuiu em meio à desaceleração econômica. Em fevereiro de 2026, 22,7% das empresas relataram dificuldades por falta de profissionais, ante 25,8% em outubro.

Segundo o Instituto ifo, a desaceleração econômica contribuiu para a redução da pressão por contratações.

O instituto também aponta que avanços tecnológicos, especialmente a inteligência artificial, estão modificando o mercado de trabalho. Assim, a diminuição do indicador não significa o fim da escassez em funções especializadas.

A Espanha utiliza a imigração para preencher vagas.

Apesar de ter uma taxa de desemprego relativamente elevada, a Espanha enfrenta dificuldades para encontrar profissionais em setores como construção, turismo, transporte e cuidados pessoais.

Em maio de 2026, o governo lançou uma estratégia para conectar migrantes regularizados às empresas desses setores. O programa recebeu 549.596 solicitações no primeiro mês, conforme a Reuters.

A estimativa oficial indica que a Espanha precisará de aproximadamente 2,4 milhões de novos contribuintes para a Previdência ao longo da próxima década. A imigração é vista como uma estratégia para renovar a força de trabalho e sustentar os serviços públicos.

A área da saúde apresenta um dos maiores desafios de escassez.

Uma análise divulgada pela Autoridade Europeia do Trabalho em julho de 2026 revelou que 20 países relataram falta de enfermeiros, enquanto apenas a Finlândia apresentou excedente.

Mais de um terço dos enfermeiros europeus tinha 50 anos ou mais em 2024. A proximidade da aposentadoria pode aumentar a demanda por substituição, segundo a relatório específico sobre enfermagem.

Médicos, cuidadores, eletricistas, soldadores, cozinheiros, motoristas e trabalhadores da construção também estão entre os profissionais mais afetados.

Como resposta, a União Europeia lançou em junho de 2026 o EU Talent Pool, plataforma para contratação de profissionais de fora do bloco.

No entanto, a avaliação europeia indica que a imigração sozinha não resolve o problema. É necessário combinar formação profissional, reconhecimento de diplomas, melhores condições de trabalho e maior mobilidade entre os países.

Fonte: Click Petróleo e Gás.