Sustentabilidade

Cápsulas de café usadas podem virar combustível e novos produtos

No Brasil, especialmente em Minas Gerais, o setor cafeeiro enfrenta desafios na colheita manual devido ao relevo, mas avança na adoção de práticas de agricultura regenerativa em regiões como Cerrado Mineiro e Sul de Minas, com 95% do café sustentável até 2030. A reciclagem de cápsulas de café, com capacidade para 100 toneladas mensais, transforma alumínio e borra em biometano e novos produtos, promovendo impacto ambiental positivo.

A reciclagem de cápsulas de café no Brasil transforma alumínio e borra em biometano e outros produtos, contribuindo para a sustentabilidade ambiental - Foto: Planeta Campo / Reprodução.
A reciclagem de cápsulas de café no Brasil transforma alumínio e borra em biometano e outros produtos, contribuindo para a sustentabilidade ambiental – Foto: Planeta Campo / Reprodução.

O percurso do café até a xícara envolve uma cadeia de etapas que começa na produção no campo, com a participação de milhares de agricultores. Em regiões montanhosas, como Minas Gerais, onde a mecanização é limitada pelo relevo, a colheita ainda é predominantemente manual, o que torna a mão de obra um dos principais desafios do setor cafeeiro brasileiro.

Segundo Tatiana Nakamura, representante da Nespresso, compreender toda a cadeia de produção é importante para valorizar o produto e minimizar o desperdício. Ela destaca que muitos consumidores descartam o café preparado sem considerar o esforço envolvido desde a colheita até a bebida final.

Ela ressalta que, embora seja comum descartar o café na pia, é importante lembrar que ele é uma fruta que passa por um processo complexo antes de chegar à nossa xícara.

Agricultura regenerativa

Nos últimos três anos, produtores de regiões como o Cerrado Mineiro, Alta Mogiana e Sul de Minas vêm adotando práticas de agricultura regenerativa, principais fornecedoras de café para a marca no Brasil.

Essas práticas visam recuperar a saúde do solo, aumentar a biodiversidade, reduzir emissões de carbono e fortalecer a resistência das lavouras às mudanças climáticas.

As ações incluem o uso de plantas de cobertura para proteção do solo, substituição parcial de fertilizantes sintéticos por orgânicos, aplicação de defensivos biológicos e cultivo de variedades de café mais adaptadas ao calor, seca e doenças.

Árvores e arbustos são integrados ao sistema produtivo para fornecer sombra, equilibrar o clima e atrair predadores naturais de pragas, reduzindo a necessidade de defensivos químicos.

Práticas de conservação de água também foram ampliadas, com sistemas de irrigação eficientes e reservatórios para períodos de estiagem, especialmente diante de eventos climáticos extremos.

A empresa informa que cerca de 95% do café adquirido no Brasil já provém de fazendas que atendem aos critérios do Plano de Qualidade Sustentável, meta inicialmente prevista para 2030.

Sustentabilidade após o consumo

As cápsulas devolvidas por consumidores em boutiques, pontos de coleta ou por logística reversa dos Correios são encaminhadas a centros de reciclagem em Valinhos (SP), onde alumínio e borra de café são separados.

A borra de café é utilizada na produção de biometano, um combustível renovável que abastece parte da frota de transporte responsável pelo recolhimento das cápsulas, contribuindo para a redução do uso de combustíveis fósseis.

O alumínio retornado à indústria é reciclado para a fabricação de novos produtos, como embalagens, utensílios e itens produzidos em parceria com outras empresas.

De acordo com Nakamura, o centro de reciclagem processa entre 90 e 100 toneladas de cápsulas mensalmente, com capacidade para reciclar todo o material devolvido. O principal desafio permanece na ampliação da participação dos consumidores na devolução das cápsulas usadas.

Atualmente, além das boutiques, a empresa possui mais de 400 pontos de coleta no país e oferece um serviço gratuito pelos Correios para que consumidores de qualquer região possam enviar as cápsulas para reciclagem.

Fonte: Planeta Campo.