
Os preços internacionais do açúcar avançaram nesta segunda-feira (10/08), impulsionados pelas expectativas de redução da oferta global. O movimento levou o açúcar bruto negociado em Nova York ao maior patamar em dez meses, enquanto o açúcar branco, em Londres, alcançou a máxima dos últimos 15 meses.
Na Bolsa de Nova York, o contrato com vencimento em outubro encerrou o pregão cotado a 16,47 centavos de dólar por libra-peso. Em Londres, o contrato de outubro do açúcar branco terminou a sessão negociado a US$ 506,10 por tonelada.
A valorização ocorre em meio às perspectivas de menor produção em importantes regiões produtoras. Na União Europeia e no Reino Unido, a seca e as temperaturas elevadas devem reduzir a produção para cerca de 14,98 milhões de toneladas neste ano, o menor volume em 11 anos, conforme estimativas da S&P Global Energy.
No Brasil, maior produtor mundial da commodity, os números também reforçam a preocupação com a disponibilidade do produto. Dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) apontam que as usinas do Centro-Sul produziram 3,903 milhões de toneladas de açúcar em junho, queda de 26,3% em relação ao mesmo período da safra anterior.
Projeções indicam déficit no mercado mundial
O cenário de oferta mais restrita tem levado consultorias a revisarem suas projeções para a safra 2026/27. A Covrig Analytics passou a estimar déficit mundial de 300 mil toneladas, após prever anteriormente um superávit de 100 mil toneladas.
A Green Pool Commodity Specialists também ampliou sua estimativa de déficit, de 1,76 milhão para 3,3 milhões de toneladas. Já a StoneX passou a projetar uma diferença negativa de 1,7 milhão de toneladas entre oferta e demanda, ante previsão de 550 mil toneladas divulgada em maio.
As revisões aumentam a percepção entre os agentes do mercado de que a produção mundial poderá ter dificuldades para acompanhar a demanda na próxima temporada.
Clima na Índia também preocupa
Outro ponto de atenção está na Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar. As previsões meteorológicas indicam possibilidade de chuvas de monção abaixo da média durante agosto e setembro, período importante para o desenvolvimento das lavouras de cana-de-açúcar no país.
Uma redução das precipitações pode afetar a produtividade das lavouras indianas e ampliar ainda mais a pressão sobre a oferta internacional. O mercado também acompanha os possíveis efeitos do El Niño em grandes regiões produtoras, incluindo Brasil, Índia e Tailândia.
Com perspectivas de menor produção em diferentes países e projeções de déficit para a próxima safra, as condições de oferta seguem como um dos principais fatores de sustentação das cotações internacionais do açúcar.








