Agricultura

Conab eleva previsão de safra de milho para quase 143 milhões de toneladas e reforça estoques

A estimativa de produção de milho no Brasil para 2025/26 foi revisada para quase 143 milhões de toneladas, refletindo aumento na oferta e uma significativa recomposição dos estoques, apesar do crescimento do consumo interno e das exportações.

A soja e o milho seguem como as principais culturas agrícolas do Piauí. Foto: Divulgação / Governo do Piauí.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revisou para cima a previsão de produção de milho no Brasil na temporada 2025/26, estimando uma colheita de 142,95 milhões de toneladas. Este valor representa um aumento de 0,87% em relação à projeção de julho e de 1,27% na comparação com a safra anterior, de 2024/25.

Esses números foram obtidos por meio de levantamento realizado pela Terra Investimentos, que considerou dados divulgados nesta quinta-feira (13) pela Conab e informações da Secex.

Com a expectativa de aumento na produção e o estoque inicial elevado, a oferta total de milho no país deve atingir 157,12 milhões de toneladas em 2025/26, o que equivale a um crescimento de 8,53% em relação ao ciclo passado, de 144,78 milhões de toneladas.

Apesar do crescimento na produção, a demanda doméstica também segue em expansão. A previsão de consumo interno foi ajustada para 95,04 milhões de toneladas, um aumento de 4,81% em relação às 90,68 milhões de toneladas consumidas na temporada anterior.

Segundo análise da Terra Investimentos, o setor de etanol permanece como um dos principais sustentáculos do consumo de milho no Brasil, contribuindo para absorver parte do aumento na produção nacional.

Exportações mantêm crescimento, embora não impeçam a formação de estoques

Para o mercado externo, a Conab mantém a previsão de exportação de 46,5 milhões de toneladas de milho na temporada 2025/26. Apesar de não ter sofrido alterações em relação a julho, esse volume representa uma elevação de 11,69% frente às 41,63 milhões de toneladas do ciclo anterior.

Mesmo com o aumento na demanda interna e nas exportações, a projeção de maior produção deve resultar na reposição significativa dos estoques brasileiros de milho.

Os estoques finais estimados subiram de 14,51 milhões para 15,58 milhões de toneladas entre julho e agosto, um avanço de 7,4% em um mês e de quase 25% em relação às 12,47 milhões de toneladas do ciclo anterior.

Esse movimento também altera a relação entre oferta e demanda no mercado doméstico, tornando a situação de abastecimento mais confortável.

A relação estoque/consumo, que havia ficado em apenas 1,45% na temporada 2023/24, passou para 9,42% em 2024/25 e deve alcançar 11,01% em 2025/26. Na previsão de julho, essa relação estava em 10,26%.

De acordo com cálculos da Terra Investimentos, os estoques finais seriam suficientes para cerca de 1,32 mês de consumo, ante 1,13 mês na temporada anterior.

Geraldo Isoldi, analista da Terra Investimentos, explica que, ao excluir as exportações e considerar apenas a demanda doméstica, a relação estoque/consumo sobe para 16,40%, o que equivale a uma cobertura próxima de 1,97 mês.

Para o mercado, o aumento dos estoques representa um fator de estabilidade, reduzindo a pressão sobre os preços, embora a formação de valores continue dependente de variáveis como ritmo de exportação, demanda por etanol e proteína animal, cotação do dólar e a paridade com o mercado internacional.

O novo balanço da Conab revela duas forças atuando simultaneamente: o aumento do consumo e das exportações, aliado a uma produção que se amplia o suficiente para fortalecer os estoques, promovendo maior segurança no abastecimento ao longo de 2025/26.

Fonte: Conab.