Agroindústria

Processo de produção do couro e a transformação da pele do gado

A indústria do couro em Lins (SP), ligada à JBS, transforma peles de abate em produtos finais para setores automotivo, calçadista e mobiliário, com mais de 90% do curtimento ao cromo. O setor promove sustentabilidade por meio do reaproveitamento de resíduos e destaca a importância do manejo e bem-estar animal na qualidade do couro.

A indústria do couro em Lins (SP), ligada à JBS, transforma peles de abate em produtos finais, com destaque para o uso de cromo e práticas sustentáveis - Foto: Planeta Campo / Reprodução.
A indústria do couro em Lins (SP), ligada à JBS, transforma peles de abate em produtos finais, com destaque para o uso de cromo e práticas sustentáveis – Foto: Planeta Campo / Reprodução.

O couro é utilizado em diversos setores, incluindo automotivo, calçadista, de móveis e acessórios, passando por processos industriais que transformam a pele do animal em produto final. A produção inicia na etapa de abate, quando a pele é retirada, preservada e enviada aos curtumes para o processamento.

Na unidade da JBS Couros em Lins (SP), a matéria-prima chega na condição de wet blue, pele curtida ao cromo com coloração azulada e alta umidade. A partir dessa fase, o material passa por processos adicionais para adquirir as características específicas de cada aplicação.

A indústria do couro utiliza principalmente três tipos de curtimento: ao cromo, com agentes químicos sem cromo e vegetal. O curtimento ao cromo é predominante, representando mais de 90% dos processos, devido à sua versatilidade e capacidade de produzir diferentes tipos de couro.

Nos processos sem cromo, o produto é denominado wet white, referindo-se à coloração branca. Tanto o wet blue quanto o wet white permanecem úmidos durante parte do processamento. O wet blue inicia com aproximadamente 50% de umidade e termina com cerca de 10% a 12%.

De acordo com o diretor técnico da JBS Couros, Ramon Dela Torres, “há etapas do processo que requerem a preservação da umidade do couro para garantir a integridade do produto”.

A transformação do couro ocorre em três fases principais: curtimento, recurtimento e acabamento. No curtimento, a proteína da pele é estabilizada, impedindo sua deterioração, e o material passa a ser classificado como couro.

O recurtimento ajusta características como cor, espessura, maciez e estrutura. O acabamento finaliza o produto, conferindo suas propriedades físicas e mecânicas específicas para cada uso.

Diferentes aplicações exigem especificações distintas do couro, como no setor automotivo, calçadista ou mobiliário. Assim, cada etapa do processamento é adaptada ao destino final do produto.

Qualidade

A qualidade do couro é parcialmente definida antes do processamento, durante a vida do animal, por marcas e características que podem afetar o resultado final do couro, que podem resultar de parasitas, cicatrizes, ferimentos, arames ou marcas de identificação do gado.

A uniformidade da superfície da pele, influenciada por defeitos, é um fator importante na qualidade do couro. Quanto maior a quantidade de imperfeições, maior a necessidade de cobrir ou disfarçar essas áreas durante o acabamento, o que pode alterar sua aparência natural.

A indústria reforça a importância do manejo adequado e do bem-estar animal ao longo de toda a cadeia produtiva, pois esses fatores contribuem para a qualidade da pele que será processada.

O aproveitamento de resíduos

Materiais que não fazem parte do produto final podem ser reaproveitados, promovendo economia circular na indústria do couro.

Raspas e aparas de couro podem ser utilizados na produção de colágeno, enquanto o farelo gerado durante o rebaixamento pode ser empregado na fabricação de fertilizantes.

O processamento da pele em couro envolve múltiplas etapas industriais e o reaproveitamento de subprodutos, ampliando o uso da matéria-prima ao longo de toda a cadeia produtiva.

Fonte: Planeta Campo.