Tradição Genética

Carne do Pantanal se destaca em mercado com crescentes exigências

A produção de carne sustentável no Pantanal, envolvendo cerca de 1.000 propriedades, utiliza manejo adaptado ao bioma e certificação de origem, fortalecendo o setor agropecuário local. A iniciativa, liderada pela ABPO, promove rastreabilidade, melhorias genéticas e aumento da eficiência, ampliando o mercado de carne certificada na região.

A produção de carne sustentável no Pantanal, envolvendo cerca de 1.000 propriedades, promove rastreabilidade, melhorias genéticas e aumento da eficiência, fortalecendo o setor agropecuário local e ampliando o mercado de carne certificada - Foto: Planeta Campo / Reprodução.
A produção de carne sustentável no Pantanal, envolvendo cerca de 1.000 propriedades, promove rastreabilidade, melhorias genéticas e aumento da eficiência, fortalecendo o setor agropecuário local e ampliando o mercado de carne certificada – Foto: Planeta Campo / Reprodução.

A produção de carne no Pantanal combina um sistema de manejo adaptado ao bioma com a garantia de origem certificada. Produtores interessados podem aderir a protocolos que atestam a sustentabilidade da carne, segmento em expansão devido à demanda por alimentos com certificação de origem.

De acordo com Guilherme de Oliveira, diretor-executivo da Associação Pantaneira de Pecuária Orgânica e Sustentável (ABPO), a diferenciação da produção pantaneira está na integração com as características naturais do bioma. O manejo respeita os ciclos de cheia e seca, evitando a adaptação do ambiente às atividades produtivas.

Durante certas épocas do ano, áreas de pastagem ficam alagadas, reduzindo a capacidade de uso das propriedades. Mesmo assim, esse cenário favorece um sistema produtivo sustentável e compatível com a produção orgânica.

Oliveira explica que o Pantanal é protegido por lei, o que limita o manejo das áreas e impede a troca da vegetação, contribuindo para a sustentabilidade da produção.

Tecnologia

Ferramentas de manejo de pastagens nativas, nutrição animal, melhoramento genético e assistência técnica têm contribuído para aumentar a eficiência produtiva sem comprometer as características do bioma.

Para participar dos protocolos da ABPO, as propriedades passam por avaliações técnicas que consideram critérios ambientais, sociais e econômicos. São verificadas boas práticas ambientais, condições de trabalho e gestão, garantindo conformidade com os requisitos das certificações.

Oliveira destaca que o tripé da sustentabilidade — econômico, social e ambiental — orienta as avaliações técnicas realizadas nas propriedades, buscando enquadrar as atividades às exigências de cada aspecto.

Rastreabilidade

Animais participantes dos protocolos são identificados e monitorados ao longo de toda a produção, assegurando a origem. Bovinos permanecem na maior parte do tempo no Pantanal e podem ser encaminhados para propriedades certificadas fora da planície, onde são finalizados antes do abate, mantendo a rastreabilidade e o padrão sustentável.

Segundo Oliveira, animais podem ser enviados para terminação em unidades parceiras, especialmente quando o ciclo do Pantanal não permite o abate na própria propriedade.

Melhoramento genético

Embora o Nelore continue predominante devido à sua adaptação ao bioma, há crescimento no uso de cruzamentos industriais e de animais com maior potencial de desempenho, sempre respeitando a capacidade de adaptação ao ambiente.

A evolução genética, aliada a melhorias no manejo e na nutrição, reduz o tempo de permanência dos animais no sistema, possibilitando maior produção de carne na mesma área e menor impacto sobre os recursos naturais.

Recentemente, a associação ampliou as possibilidades para os criadores ao incluir os boitéis parceiros nos protocolos, permitindo que produtores especializados na fase de cria encaminhem animais rastreados para terminação em unidades próximas ao Pantanal, aumentando o valor agregado e facilitando o acesso a incentivos governamentais.

Certificação

A ABPO oferece suporte técnico e busca fortalecer o reconhecimento da carne certificada pelo consumidor. A entidade lançou um selo próprio, utilizado por produtores associados para identificar carnes produzidas sob protocolos sustentáveis ou orgânicos.

A intenção é ampliar a presença desses produtos nas gôndolas, acompanhando tendências de mercado semelhantes às de segmentos como o café certificado.

Fonte: Planeta Campo.