Agronegócio

Como árvore está revolucionando agricultura familiar com lucro de até R$ 25 mil por hectare

No sertão de Pernambuco, é cultivada em solo arenoso, com cerca de 250 milímetros de chuva por ano. Já na região Sul, produtores ajustam o manejo para enfrentar baixas temperaturas e geadas.

Foto: Reprodução / Jovem Pan.

A moringa passou a ocupar novas áreas na agricultura familiar brasileira. De porte pequeno e manejo considerado simples, a planta tem sido adotada por produtores que buscam diversificação e retorno financeiro em ciclos curtos.

O tema foi apresentado no programa “Força do Agro”, que exibiu experiências de campo e dados sobre produção e comercialização. A cultura ainda ocupa área limitada no país, mas o número de interessados cresce.

Em condições adequadas de solo e manejo, o primeiro corte ocorre entre 60 e 65 dias após o plantio. Produtores relatam que 1 hectare pode gerar lucro médio de até R$ 25 mil a cada ciclo de 60 dias. Muitos iniciam com áreas de meio a 1 hectare, o que permite testar a adaptação da planta à propriedade antes de ampliar o cultivo.

A moringa apresenta tolerância a diferentes condições climáticas. No sertão de Pernambuco, é cultivada em solo arenoso, com cerca de 250 milímetros de chuva por ano. Já na região Sul, produtores ajustam o manejo para enfrentar baixas temperaturas e geadas.

Na pecuária, a planta é utilizada na produção de silagem com teor relevante de proteína, aminoácidos, antioxidantes e nutrientes digestíveis totais. Há propriedades que utilizam a moringa como base alimentar de rebanhos com aproximadamente 500 cabeças, reduzindo gastos com ração convencional. Parte dos produtores opera com contratos de venda antecipada, o que garante escoamento da produção.

Cada planta produz cerca de 3 quilos de folhas no peso úmido. Após a secagem, o rendimento médio é de 1,2 quilo. A matéria-prima abastece a fabricação de cápsulas, sabonetes, shampoos, séruns e hidratantes. Um dos fabricantes informou a comercialização de mais de 8 mil unidades de sabonete à base de moringa.

O óleo extraído das sementes contém ácidos graxos e antioxidantes. Pesquisas analisam aplicações na indústria de cosméticos, incluindo formulações para proteção solar. No campo, o produto também é utilizado no controle de insetos, substituindo óleo mineral em determinadas aplicações.

No mercado internacional, a moringa foi avaliada em 9,8 bilhões de euros no último ano. Produtos brasileiros chegam a destinos como França, Lisboa e Nova York. A maior parte da demanda externa concentra-se nas folhas, enquanto o segmento de óleo ainda apresenta espaço para ampliação.

Além das folhas e sementes, há iniciativas voltadas à produção de biocombustível, pellets para alimentação de cavalos, peixes, aves e suínos, além de feno e ração alternativa. O plantio pode ser feito por sementes, inseridas de 2 a 3 centímetros no solo, ou por estaquia, conforme a estratégia adotada.

O manejo inclui correção do solo, controle hídrico e monitoramento de pragas. A expansão da cultura ocorre em meio ao interesse de produtores por sistemas de produção com ciclos curtos e diversificação de mercado.

Fonte: Revista Oeste