Sustentabilidade

Tecnologia protege hortaliças orgânicas de chuvas e calor no verão

Produtores orgânicos na zona sul de São Paulo enfrentam desafios climáticos e de escala, investindo em cultivos protegidos para ampliar a produção contínua. Com apoio de políticas públicas, eles fornecem alimentos a preços acessíveis a comunidades locais, promovendo impacto social e sustentabilidade no setor agro.

Produtores orgânicos na zona sul de São Paulo usam cultivos protegidos para garantir produção contínua e oferecer alimentos acessíveis às comunidades locais - Foto: Planeta Campo / Reprodução.
Produtores orgânicos na zona sul de São Paulo usam cultivos protegidos para garantir produção contínua e oferecer alimentos acessíveis às comunidades locais – Foto: Planeta Campo / Reprodução.

O cultivo de alimentos orgânicos na cidade de São Paulo enfrenta desafios que vão além das técnicas agrícolas, incluindo questões climáticas, escala de produção, comercialização e logística. Produtores na zona sul da capital precisam adaptar suas práticas para manter a viabilidade da atividade.

Tecnologias de cultivo protegido e políticas públicas têm ampliado as possibilidades de abastecimento de alimentos frescos e saudáveis para a população urbana.

No Sítio Seu Domingos, localizado na zona rural de São Paulo, o manejo das hortaliças é realizado de forma orgânica. Culturas como acelga, coentro, diferentes variedades de alface, escarola e rúcula são cultivadas em sistema consorciado, com monitoramento constante que orienta as decisões de manejo.

De acordo com o produtor Eduardo dos Santos Faria, a presença de pragas e doenças indica desequilíbrios na lavoura, relacionados a fatores nutricionais ou climáticos.

“Aqui, todo o manejo é orgânico. Trabalhamos interpretando os sinais das plantas. Quando há pragas ou doenças, elas indicam alguma condição, que pode ser nutricional ou ambiental. Quando necessário, utilizamos controles biológicos, como extratos de plantas, bactérias e fungos benéficos”, explica.

Desafios

Um dos principais obstáculos é alcançar escala suficiente para tornar os alimentos orgânicos mais acessíveis ao consumidor. Produzir em maior volume pode reduzir custos e permitir preços mais competitivos, garantindo a rentabilidade.

Durante o verão, chuvas intensas, temperaturas elevadas e menor incidência de luz prejudicam a produção de hortaliças, justamente em período de maior demanda por alimentos frescos.

Solução

Para superar esses desafios, o produtor investiu em estruturas de cultivo protegido, com apoio do programa Sampa Mais Rural. Foram instaladas coberturas com telas agrícolas que minimizam os impactos de chuvas, ventos, geadas e radiação solar excessiva.

A meta é ampliar a área protegida para cerca de 2,5 mil a 3 mil metros quadrados, possibilitando a produção contínua ao longo do ano e atendendo ao mercado mesmo nos períodos mais críticos.

Segundo o engenheiro agrônomo Saullo Pereira, a coloração das telas potencializa o aproveitamento da radiação solar, favorecendo o desenvolvimento das hortaliças e protegendo a lavoura de eventos climáticos extremos.

“O sombrite reduz a incidência de chuva e diminui o risco de geadas, quando utilizado corretamente, considerando fatores como vento”, afirma Pereira.

A adoção dessas tecnologias tem despertado interesse de outros agricultores na região. A troca de experiências entre produtores tem sido um fator importante na disseminação das práticas.

Distribuição de alimentos

O produtor tem priorizado mercados locais, reduzindo a dependência de grandes centros de distribuição, aproximando a produção do consumidor.

Com apoio do programa Sampa Mais Rural e iniciativas como os Armazéns Solidários, o Sítio Seu Domingos fornece alimentos a preços reduzidos para famílias inscritas no Cadastro Único, abastecendo unidades como a do Jardim Ângela (M’Boi Mirim) e planejando ampliar o fornecimento.

“Atualmente, abastecemos o Armazém Solidário da M’Boi Mirim, oferecendo alimentos com até 50% de desconto, promovendo alimentação saudável”, explica Faria.

Percepção

Profissionais que chegam à cidade sem conhecer sua dimensão agrícola se surpreendem com a quantidade de áreas rurais. Segundo Pereira, descobrir que cerca de um terço do território de São Paulo é rural mudou sua percepção sobre a cidade.

“Hoje, não me vejo trabalhando em outra região além da zona rural do extremo sul. É um local muito bonito, com vegetação e plantio que funcionam bem”, conclui.

Fonte: Planeta Campo.