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Preço do milho sobe forte em Chicago após tensões e USDA reduzir produtividade dos EUA

Os preços do milho tiveram alta significativa na Bolsa de Chicago nesta quarta-feira, impulsionados por dados do USDA que reduziram a produtividade dos EUA e pelo aumento das tensões entre Rússia e Ucrânia, com reflexos também no mercado brasileiro.

Na sessão desta quarta-feira (12/08), os preços do milho apresentaram forte valorização na Bolsa de Chicago, influenciados pelos números do novo boletim mensal do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) e pelo agravamento das tensões geopolíticas na região do Mar Negro. No mercado doméstico, a B3 acompanhou a tendência internacional, embora com uma alta mais moderada nos contratos futuros.

Valorização expressiva no mercado de Chicago

Os principais contratos do milho na Bolsa de Chicago fecharam com altas entre 19,25 e 20,50 pontos, atingindo US$ 4,80 por bushel em dezembro e US$ 5,04 em maio. Essa movimentação foi motivada principalmente pela redução na estimativa de produtividade do cereal nos Estados Unidos, mesmo com o aumento na área cultivada divulgado no boletim. O mercado também foi influenciado pelo avanço dos contratos de trigo na CBOT.

O USDA ajustou para baixo a produtividade média do milho nos EUA, mas, por outro lado, elevou a área plantada, o que resultou em um aumento na estimativa de produção. Ainda assim, a redução no rendimento surpreendeu o mercado, fortalecendo os contratos futuros. Os estoques finais do cereal nos EUA foram revisados de 45,46 milhões para 41,98 milhões de toneladas, enquanto as exportações passaram de 81,23 para 83,19 milhões.

De modo geral, a produção global de milho foi ajustada de 1,297 bilhão para 1,298 bilhão de toneladas, refletindo uma elevação marginal. No entanto, os estoques finais foram revisados para baixo, de 275,26 milhões para 274,66 milhões de toneladas.

Além dos fatores internos dos Estados Unidos, o mercado de milho também se manteve atento ao cenário geopolítico do Mar Negro. A intensificação dos confrontos entre Rússia e Ucrânia voltou a gerar preocupações sobre a segurança da produção, armazenamento e transporte de grãos na região.

“No curto e médio prazo, a redução da oferta de milho e trigo no Mar Negro aumenta o risco de alta nos preços desses cereais”, avalia a Agrinvest Commodities.

Os efeitos dessa tensão foram inicialmente sentidos com maior intensidade no trigo, que liderou as altas durante parte da sessão. Entretanto, a possibilidade de novas interrupções nas exportações da região também sustentou o valor do milho, já que Rússia e Ucrânia representam importantes atores no comércio mundial de grãos.

Movimento mais moderado na B3

Os contratos futuros do milho na B3 também fecharam o dia com ganhos, embora menos expressivos que em Chicago, refletindo a influência da alta internacional e a valorização do dólar frente ao real.

A combinação do mercado externo mais otimista com a alta do dólar contribuiu para as leves elevações no mercado brasileiro. Ainda assim, fatores como a oferta abundante da segunda safra e a dinâmica de comercialização interna atuam como limitadores de uma reação mais intensa nos preços futuros na bolsa brasileira.

Conforme a Agrinvest Commodities, “o mercado nas principais praças de Mato Grosso e Goiás permanece bastante aquecido”.

Fonte: Notícias Agrícolas.