
ComBio, companhia paulista com quase duas décadas de atuação na descarbonização industrial, anunciou planos de expandir sua presença no setor agrícola ao oferecer soluções de biomassa para usinas e indústrias do agronegócio. A estratégia visa não apenas o fornecimento de insumos, mas também melhorias na eficiência energética e na sustentabilidade das operações.
Expansão para o setor de biomassa no agronegócio
Fundada há quase 20 anos, a empresa atua na substituição de combustíveis fósseis por biomassa em caldeiras industriais, com foco na redução de emissões de carbono. A previsão é de anunciar seus primeiros clientes do setor agrícola entre o segundo semestre de 2026 e o início de 2027, atendendo usinas de etanol, cana, grãos, fertilizantes e laticínios.
Durante uma visita de The AgriBiz a uma unidade da companhia em Mogi Guaçu, o diretor comercial Ricardo Blandy destacou o interesse em biocombustíveis, especialmente etanol de milho, além de outros segmentos do agronegócio, como usinas de cana, produção de grãos, fertilizantes e produtos lácteos.
Antes de ingressar na ComBio, Blandy acumulou experiências em empresas como Czarnikow, Raízen e Novozymes, o que potencializa sua atuação na prospecção de clientes no setor agrícola.
Ao contar detalhes do modelo de negócios, Blandy explicou que a companhia pode adquirir a caldeira original do cliente, realizando pagamento à vista, o que favorece o fluxo de caixa. Posteriormente, a empresa instala uma planta ao lado da unidade, composta por duas caldeiras — uma principal e uma reserva — além de uma terceira de backup que opera a gás natural.
Essa abordagem permite que a ComBio assuma uma atividade que não faz parte do core do cliente, promovendo uma gestão mais eficiente do vapor industrial e gerando redução de custos de até 3% na produção.
Tecnologia e gestão de biomassa
A empresa aposta na diversificação de fontes de biomassa, atualmente contando com 16 alternativas, das quais cerca de 70% são resíduos industriais ou agrícolas, como bagaço de cana, resíduos de citros, madeira e sobras de setores como o automotivo.
Para otimizar a origem dos insumos, a ComBio realiza levantamentos que envolvem visitas técnicas, uso de drones e imagens de satélite, permitindo a adaptação dos projetos às características de cada região.
Em regiões como a Norte, já se discute o uso do caroço de açaí, que antes era descartado em rios, mas agora pode gerar renda. No Sul, a casca de arroz também tem potencial de aproveitamento.
De acordo com Blandy, o raio de transporte viável para a biomassa é de aproximadamente 100 a 120 km, podendo chegar a 250 km em casos excepcionais, o que favorece a logística de distribuição.
Além de ampliar a sustentabilidade, a companhia oferece rastreabilidade da origem da biomassa, um diferencial que possibilita às empresas atenderem mercados mais exigentes, como a União Europeia, na prevenção ao desmatamento.
Segundo Blandy, a rastreabilidade deve ganhar ainda mais relevância nos próximos anos, à medida que os mercados de créditos de carbono evoluem. Ele prevê que, em cerca de cinco anos, pequenas e médias indústrias terão que se preocupar com aspectos financeiros relacionados a esses créditos, o que pode alterar o cenário competitivo do setor.
Para sustentar seu crescimento, a ComBio conta com um balanço financeiro sólido e acesso a linhas de crédito de instituições multilaterais, como a IFC.
Fundada por Paulo Skaf Filho, Roberto Lombardi e os irmãos Marcos e Fábio Brant, a companhia recebeu em 2023 um aporte de R$ 350 milhões das gestoras SPX e Lightrock, que passaram a deter 31% do capital.
O último balanço divulgado mostra que, em 2022, a receita líquida da empresa atingiu R$ 658 milhões, com lucro líquido de R$ 30,8 milhões.
Fonte: The AgriBiz.











